Aos 48 anos, o outsider deixou para trás uma vida luxuosa na Itália para se lançar pela primeira vez na política e vencer eleição, tirando a esquerda do poder 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Abelardo de la Espriella leva direita apoiada por Trump ao poder — Foto: AFP Excêntrico, falastrão e milionário, o advogado Abelardo de la Espriella assumiu nesta sexta-feira como novo presidente da Colômbia. "El Tigre", como se autodenomina, tirou a esquerda do poder com um discurso antissistema e a promessa de subjugar o narcotráfico fortalecido. Aos 48 anos, o outsider apoiado por Donald Trump deixou para trás uma vida luxuosa na Itália para se lançar pela primeira vez na política — e venceu. Em um segundo turno apertado, derrotou o senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, que deixa o cargo após ter sido o primeiro governante de esquerda da História da Colômbia. — A horrível noite está chegando ao fim. A democracia falou nas urnas e decidiu que a Colômbia volte a ter autoridade, ordem e esperança — disse dias antes de sua posse esse advogado conhecido por defender paramilitares, narcotraficantes, políticos corruptos e estrelas do futebol. 'Um povo que não se ajoelha' Caribenho, ultradireitista e católico praticante, ele canaliza o descontentamento de parte do país com os partidos tradicionais, a esquerda e a insegurança. Em eventos embalados por fogos de artifício e rugidos de tigre, jurou "reconstruir a República" e defender a democracia "pela razão ou pela força". Depois de derrotar a direita tradicional, adotou um discurso antissistema: — A toda essa máfia que desgoverna a Colômbia eu digo: aqui há uma alcateia, há um povo que não se ajoelha e que veio enfrentá-los (...) [e] castigá-los. Convencido de que transformará o Estado em uma empresa próspera, inspira-se nos presidentes Javier Milei, Nayib Bukele e Donald Trump. Cantor de ópera amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e com mocassins. Também usa a camisa amarela da seleção colombiana de futebol, à maneira do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade. 'Dolce vita' Com dupla nacionalidade, colombiana e americana, ele é alvo de frequentes questionamentos sobre seus antigos vínculos como advogado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de concorrer à Presidência, exibia nas redes sociais viagens em jatinhos particulares, ternos sob medida, chapéus e óculos de luxo. — Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades — disse à AFP durante a campanha. Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte. Pai de quatro filhos, afirma que tem "culhões" para governar com "mão de ferro" o país que mais produz cocaína no mundo e que enfrenta um conflito armado há mais de seis décadas. — No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido — afirmou. Para combater as máfias, pretende firmar uma aliança militar com os Estados Unidos e Israel. Ele aposta no fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado. Afirma que vivia a dolce vita em Florença e que disputar a Presidência foi um "sacrifício" pela "pátria". 'Firmes pela pátria' Seu jeito irreverente de falar já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso "estripar" a esquerda na Colômbia — declaração pela qual depois pediu desculpas. Em atos públicos, aparecia representado como um tigre de presas afiadas graças à inteligência artificial. Nas redes sociais, aparece fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e runs. Além disso, possui sua própria marca de roupas, chamada "De la Espriella Style". Defende o porte de armas, a redução do tamanho do Estado em 40% e quer construir megapresídios nos quais os presos fiquem "dez andares abaixo da terra", alimentados "com pão e água". Embora demonstre desprezo pelos políticos "de sempre", seu Gabinete é repleto de figuras conhecidas da direita. De la Espriella afirma que vive "de acordo com os princípios judaico-cristãos", embora anteriormente se considerasse ateu. Costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu "à moda de Tom Sawyer", pescando e brincando no campo.