Sem gatilhos capazes de atrair um fluxo consistente de recursos, o principal índice da B3 destoou dos demais ativos domésticos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ibovespa cai 1,7% pressionado por balanços, apesar de ‘payroll’ fraco — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg O Ibovespa encerrou em forte queda nesta sexta-feira (7), pressionado por balanços fracos e por uma rotação global para ações de tecnologia. O movimento foi impulsionado pelo relatório oficial de empregos dos Estados Unidos, o “payroll”, que revelou uma fraqueza inesperada no mercado de trabalho americano, reduziu as apostas de uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) e estimulou o apetite por ações em Wall Street. Sem gatilhos capazes de atrair um fluxo consistente de recursos para a bolsa brasileira, o Ibovespa destoou dos demais ativos domésticos: enquanto o dólar comercial e os juros futuros cederam, o índice recuou 1,73%, aos 172.513 pontos, próximo à mínima do dia, de 172.131 pontos. A máxima foi de 176.117 pontos. Na semana, o índice acumulou queda de 3,08%. Na sessão, o volume financeiro do Ibovespa foi de R$ 21 bilhões e, na B3, de R$ 23,8 bilhões. Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,28%, o Nasdaq avançou 1,30% e o S&P 500 ganhou 0,62%. No cenário externo, os EUA fecharam 23 mil vagas de trabalho em julho, resultado muito pior que a expectativa de economistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, que projetavam a criação de 83 mil postos. O gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, Bradford Smith, avalia que, mesmo com o relatório de empregos frago, a economia americana permanece resiliente, e os lucros corporativos continuam bastante robustos, como evidenciado pelo forte crescimento observado nos resultados trimestrais do setor privado. “A volatilidade no relatório de empregos tornou-se a norma, fazendo com que o Fed dê menos atenção a um único dado isolado. O foco do mercado deve migrar rapidamente para o relatório de CPI (índice de preços ao consumidor) na próxima semana”, completa Smith, em nota. Apesar do dado positivo para os mercados emergentes, pesaram sobre o Ibovespa resultados muito abaixo do esperado de grandes companhias, como Lojas Renner, que liderou as baixas na sessão. O papel ordinário da varejista caiu 8,09%. Para analistas do Citi, a empresa sofreu maior impacto da redução do fluxo nas lojas em decorrência da Copa do Mundo do que outras varejistas de vestuário. Em relatório, o banco diz que o Ebitda ajustado de R$ 830 milhões foi 9% abaixo de suas estimativas, enquanto as receitas de R$ 4,2 bilhões frustraram as expectativas em 4%. As ações de blue chips recuaram bloco: as ações ON da Vale cederam 0,56%, ao passo que os papéis PN e ON da Petrobras caíram 2,99% e 3,42%, respectivamente. Os bancos também terminaram em baixa, após resultados durante a semana que acenderam o alerta para a qualidade das carteiras do sistema. As units do BTG pactual caíram 4,07%, as ações ordinárias do BB perderam 1,08% e o papel preferencial do Itaú recuou 2,58%. Ainda entre os destaques negativos, as units da Engie caíram 5,22%, apesar de a companhia ter registrado lucro líquido de R$ 1,96 bilhão no segundo trimestre. O resultado foi inflado por um efeito contábil não recorrente, de R$ 1,26 bilhão, relacionado à adesão da empresa ao mecanismo de repactuação do pagamento pelo Uso do Bem Público (UBP) de hidrelétricas. Desconsiderando esse impacto, o lucro líquido seria de R$ 694 milhões, alta de 23% em relação ao mesmo período de 2025. Na ponta positiva, o papel do Fleury avançou 9,73%. A empresa entregou resultados considerados muito fortes no segundo trimestre, mantendo um momento operacional positivo e superando as expectativas do mercado, na visão do Itaú BBA.