IA e investidores mais seletivos mudam o manual de criação de startupsErick Bretas, CEO do Estadão, Raquel Teixeira, sócia da EY, e Gustavo Victorica, COO do RecargaPay, participaram de painel no Rio Innovation Week. Crédito: Imagem: Léo Souza/Edição: Joaquim MacruzGerando resumoO trabalho remoto ganhou grande destaque durante a pandemia de covid-19 por ter se tornado popular a fim de evitar aglomerações e espalhar ainda mais a doença. Porém, com a retomada da normalidade, muitas empresas começaram a voltar aos escritórios. Prova disso é que a vacância de escritórios caiu de 25,1% no segundo trimestre de 2021 para 14,3% no mesmo período deste ano, segundo dados da consultoria Newmark. No entanto, empresas como a fintech RecargaPay ainda adotam modelo de trabalho 100% remoto, o que já faziam desde antes da pandemia.PUBLICIDADEMiguel Perdigão, gerente geral de produtos financeiros na RecargaPay, diz que a companhia conta hoje com cerca de 500 pessoas espalhadas por 100 cidades em países como Brasil, Argentina, Portugal e Estados Unidos. Para ele, o trabalho remoto é um forte aliado na retenção e recrutamento, especialmente no setor financeiro, onde muitos concorrentes estão exigindo o retorno ao presencial.“Temos todos os controles que precisamos ter como uma instituição financeira e lançamos nos últimos dois anos todos os produtos que uma plataforma financeira tem. Trabalhando 100% remoto”, afirmou Perdigão, durante o Rio Innovation Week, em painel mediado por Lucas Agrela, repórter do Estadão.PublicidadePainel no RIW discutiu a produtividade no trabalho remoto Foto: RecargaPay/Divulgação/Beto PetroniSegundo André Chiarini, presidente da empresa de logística Spare Partners, a presença física é indispensável para atividades como movimentação de materiais, inspeção, recebimento e atendimento 24x7 nos armazéns. No entanto, ele mantém todo o setor corporativo da empresa 100% remoto, tanto no Brasil quanto no Peru, o que tem gerado ganhos de produtividade e maior disponibilidade das pessoas.“A empresa foi criada em 2018 no Peru, mas chegou ao Brasil no final de 2019, e logo em seguida veio a pandemia. No Brasil, sempre tivemos trabalho remoto, e isso faz diferença no dia a dia para a produtividade, para a disponibilidade das pessoas para as reuniões e para trocar ideias e fazer acontecer. Também tem feito muita diferença na hora do recrutamento”, disse Chiarini.Christian Brech, gerente nacional da plataforma de gestão de pessoas e RH Buk Brasil, afirmou que o sucesso do trabalho remoto começa na contratação. Por isso, ele busca pessoas engajadas que compartilhem o propósito da empresa para evitar a necessidade de controles invasivos, como monitoramento de cliques no mouse. PublicidadeBrech conta que a Buk tem um programa chamado “Work from Anywhere” (trabalhe de qualquer lugar) que permite aos seus mais de 2 mil funcionários trabalharem de onde quiserem, baseando-se na autonomia e na relação entre líder e liderado. “Temos uma pesquisa anual de felicidade organizacional e, na última edição, 86% das pessoas declararam estar felizes com o trabalho remoto”, disse.Para ele, o setor de tecnologia, pioneiro no modelo de trabalho remoto, continua a ser o mais propício para quem deseja trabalhar fora do escritório. Porém, outras áreas tipicamente presenciais estão se tornando mais flexíveis e adotando modelo de trabalho híbrido, com alguns dias na empresa e outros de casa. “Hoje, muitas pessoas foram morar até fora de São Paulo e, com a volta ao presencial, acabam perdendo mais tempo no deslocamento. É importante se perguntar se vale a pena mesmo trazer todo mundo para o escritório”, afirmou.Cultura é argumento usado por empresas para a volta ao presencialA cultura come a estratégia no café da manhã. Essa frase de Peter Drucker, conhecido como o pai da administração moderna, é um mantra repetido à exaustão por CEOs e diretores de diferentes nichos de mercado. Esse mesmo mantra é usado como argumento para a volta ao trabalho presencial. Porém, nem sempre isso se confirma na prática.PublicidadeLeia tambémCada funcionário terá de gerir 100 agentes de IA na Nvidia, diz diretor de vendas da empresaIA e investidores mais seletivos mudam o manual de criação de startups; entenda por quêPerdigão argumentou que a cultura não é algo que se constrói apenas em momentos informais, como o café no meio da tarde, mas sim no dia a dia das operações, na forma como as decisões são tomadas, na agilidade das reuniões e no progresso dos projetos. Para ele, a estrutura horizontal e a rapidez na resolução de problemas ajudam a imprimir a cultura da empresa mesmo à distância.Brech ressaltou que a cultura se baseia na confiança desde o início, evitando controles invasivos. Para ele, a rotina e o passo a passo dos processos garantem que as pessoas se sintam parte dos projetos da empresa.Já Chiarini destacou que a formação da cultura vem da coerência entre os valores pregados e a prática real, independentemente de ser online ou presencial.PublicidadeVolta ao presencial acaba com os nômades digitais?PUBLICIDADEO sonho de trabalhar de outra cidade, país ou continente parecia ao alcance de todos que trabalhavam em escritórios no auge da pandemia de covid-19, mas a volta ao presencial tem tornado isso cada vez mais raro no mercado de trabalho.Para Chiarini, o setor de tecnologia é o único que se encaixa nesse modo de vida, dado o histórico mais longevo de cultura de trabalho remoto.Perdigão, do RecargaPay, defendeu o conceito de trabalhar de qualquer lugar, em oposição ao modelo remoto que obriga o funcionário a ficar apenas dentro da sua casa. Como exemplo prático, ele mencionou o caso de um colaborador do RecargaPay que fez uma longa viagem de trailer enquanto trabalhava normalmente na empresa.PublicidadeBrech vê o nomadismo digital como um diferencial para atrair talentos para as empresas atualmente. Porém, ele observou que, em especial, a área comercial ainda requer encontros presenciais com clientes e alguns rituais que podem exigir a presença física para fechar negócios.Vale ler tambémQual o Estado brasileiro com mais filhos sem a presença dos pais nos lares? Abono salarial: que tal cortar R$ 30 bi de gasto desprovido de evidência de atender política social?Bancos privados fecham 2 mil agências e cortam 14 mil vagas em um ano
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Aumento da ocupação de escritórios indica que o trabalho remoto perdeu força, mas startups e negócios consolidados encontram caminhos para a produtividade e retenção de talentos com o modelo à distância; entenda








