O que é verdade e o que é mentira sobre a geração Z no trabalhoLetícia Pavim, cofundadora da Rede Pavim, ajuda chefes a lidar com a geração Z e no 'Estadão' desvenda os mitos sobre os jovens profissionais. Crédito: Bruno Nogueira/Larissa Burchard/EstadãoGerando resumoO home office integral, que alcançou o maior número de adeptos durante a pandemia, tornou-se exceção no mercado de trabalho brasileiro. É o que mostra um levantamento da Robert Half obtido com exclusividade pelo Estadão. O estudo destaca que a maioria das empresas adota modelo híbrido ou 100% presencial, com média entre três e cinco dias por semana no escritório, a depender do setor.PUBLICIDADEAs áreas de construção civil e engenharia lideram os índices de presencialidade, com equipes corporativas trabalhando, em média, 4,8 dias por semana no escritório, enquanto o setor de serviços registra a maior flexibilidade, com média de 3,3 dias.Embora o retorno gradual aos escritórios não seja algo novo, ainda não chegou ao ponto de estabilização, estima Vitor Silva, diretor de mercado da Robert Half. Ele acrescenta que o trabalho 100% remoto não é mais uma alternativa, nem mesmo para funções corporativas. “O remoto full hoje é uma exceção da exceção”, afirma.PublicidadeA tendência é de que o home office fique cada vez mais raro nas vagas de emprego e seja disponível apenas para empresas que já nascem remotas ou companhias que não oferecem escritório na operação local. “Não vemos nenhum movimento que indique uma reversão desse cenário”, observa Silva. Atualmente, vagas de home office integral representam apenas 3% das vagas das oportunidades dos clientes atendidos pela consultoria.Nem oito nem oitenta: a busca é por equilíbrioEmbora a flexibilidade seja valorizada pelos profissionais, a pesquisa indica que as empresas estão em busca de um ponto de equilíbrio. Por isso, a decisão sobre a quantidade de dias em casa não deve ser tomada apenas pelo hype. Na verdade, está mais estratégica nas organizações com maior nível de maturidade.Publicidade“As empresas mais maduras são aquelas que tomam essa decisão com base em dados. Não adianta olhar para uma companhia e copiar o modelo se a realidade do seu negócio é completamente diferente”, ressalta o diretor. Trabalhar de casa virou raridade em vagas de emprego Foto: Saki/Adobe StockA pesquisa sugere que tanto o excesso quanto a falta de cultura presencial podem gerar problemas. Os modelos mais flexíveis podem comprometer a produtividade e a velocidade de resposta em determinados setores. Já as exigências de presença no escritório sem justificativa tendem a prejudicar a retenção de talentos.“Não adianta ter um modelo superflexível que não conversa com a realidade da operação. Mas também não adianta exigir quatro ou cinco dias presenciais sem conseguir explicar o porquê”, avalia.PublicidadeDe acordo com a pesquisa, os setores de produção, infraestrutura e atividades de campo, como construção, mineração, energia e indústria, exigem maior presença física das equipes. Já as empresas de serviços conseguem oferecer mais flexibilidade em parte das funções corporativas.A indústria, por exemplo, apresenta uma das maiores diferenças entre as funções. Nas áreas corporativas, a média é de 3,3 dias presenciais por semana. Já nas operações, esse número sobe para 4,9 dias. Na logística, a diferença também é alta: 3,6 dias para equipes administrativas e 4,6 dias para operações.Leia tambémTrabalhar sexta-feira? ‘É simplesmente inútil’, diz magnata britânico; movimento cresce no mundoRedução no home office enche escritórios, mas cobra melhoria dos prédiosPor que eles estão desistindo de trabalhar de qualquer lugar do mundo como nômades digitaisOs fatores que orientam a decisãoA pesquisa ainda sugere que há dois fatores que auxiliam na definição do modelo de trabalho: o grau de previsibilidade da operação e o nível de interação entre os profissionais. Por exemplo, os negócios mais previsíveis e com menor dependência da colaboração presencial são capazes de oferecer jornadas flexíveis ao colaborador. PublicidadePUBLICIDADEApesar disso, a flexibilidade ainda é um diferencial competitivo. Dados da própria Robert Half revelam que 52% dos profissionais mudariam de emprego caso a empresa reduza a flexibilidade; outros 54% dos gestores reconhecem que esse fator influencia a atração e a retenção de talentos.O executivo afirma que essa demanda não está restrita aos mais jovens. “Existe a percepção de que apenas a geração Z prioriza flexibilidade, mas nossos estudos mostram que essa expectativa também aparece entre profissionais mais experientes. Não é uma questão geracional, é uma expectativa que se espalhou pelo mercado”, diz.
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