Legislação também inclui medidas econômicas ampliadas contra o Irã, defendidas pelo presidente Donald Trump 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Modelo de um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) é visto diante da bandeira da Rússia nesta ilustração feita em 19 de maio de 2022 — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo O Senado dos Estados Unidos aprovou com facilidade nesta sexta-feira uma ampla legislação de sanções contra a Rússia, fazendo avançar uma medida há muito adiada que tinha o apoio do falecido senador Lindsey Graham e abrindo caminho para sua análise pela Câmara dos Deputados já no próximo mês. Graham, republicano da Carolina do Sul, estava entre os mais enfáticos aliados de Kiev no Congresso em sua guerra de quatro anos contra a Rússia, e o projeto busca aumentar a pressão econômica sobre Moscou por sua invasão da Ucrânia. O texto também inclui sanções ampliadas contra o Irã, defendidas pelo presidente Donald Trump, enquanto os parlamentares finalmente levaram a medida a votação mais de um ano depois de sua apresentação inicial, em 1º de abril de 2025. Os líderes republicanos do Senado não haviam levado o projeto a votação devido à resistência de Trump, que, desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, vinha mantendo as decisões sobre sanções sob controle da Casa Branca, e não do Congresso. O Senado aprovou por 86 votos a 11 a "Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026", que imporia sanções a autoridades russas e autorizaria tarifas elevadas contra China, Índia e outros países para reduzir sua dependência do petróleo e do gás russos. O amplo apoio a sanções mais duras contra a Rússia pode não ser suficiente para garantir a aprovação na Câmara, já que alguns parlamentares temem que os novos poderes tarifários concedidos a Trump possam elevar os custos para importadores e consumidores americanos, além de expor os republicanos a repercussões políticas negativas. Os republicanos de Trump controlam maiorias estreitas tanto na Câmara quanto no Senado. Apenas um republicano no Senado, Rand Paul, do Kentucky, votou contra o projeto. O plenário irrompeu em aplausos depois que Darline Graham, irmã do falecido senador e nomeada para ocupar sua cadeira, anunciou o resultado final da votação. Antes de aprovar o projeto, o Senado rejeitou uma emenda apresentada por Paul e pelo senador democrata Ron Wyden, do Oregon, que retiraria os poderes para imposição de tarifas. Paul comparou as tarifas a impostos cobrados dos consumidores americanos. "Aumentar os impostos dos americanos não acabará com a guerra de Putin na Ucrânia", afirmou antes da votação da emenda. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, recebe o senador republicano Lindsey Graham, na sede do governo ucraniano, em Kiev — Foto: Ukrainian Presidential Press Service/via Reuters Trump ganha novos poderes tarifários Se for aprovada pela Câmara e sancionada por Trump, a medida permitiria ao presidente impor tarifas de até 100% a países que são grandes consumidores de energia russa, incluindo Índia, Japão e alguns países da União Europeia, além de deixar a seu critério a retirada dessas tarifas. Os defensores da legislação, porém, insistem que as tarifas têm alcance suficientemente restrito para cumprir seu objetivo de reduzir as receitas russas com energia que financiam a guerra na Ucrânia sem provocar consequências negativas. "Essas tarifas têm um único objetivo: tornar mais caro para os países continuar comprando a energia russa que financia a guerra de Putin", afirmou a senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores do Senado, ao pedir votos favoráveis à medida. Os defensores do projeto disseram que o acordo representa a melhor oportunidade para o Congresso aprovar uma legislação de apoio à Ucrânia e que uma votação com forte apoio bipartidário no Senado daria impulso à aprovação na Câmara. Pouco antes de sua morte repentina, em 11 de julho, Graham havia anunciado que ele e Trump haviam finalmente chegado a um acordo para avançar com a legislação, defendida pelo senador havia mais de um ano. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que compareceu ao funeral de Graham em Washington e se reuniu com Trump, acompanhou uma votação preliminar sobre o projeto na semana passada. Ele afirmou que a legislação de sanções atingiria a capacidade da Rússia de financiar a guerra, ao mesmo tempo em que enviaria um forte sinal do apoio dos Estados Unidos ao povo ucraniano. "É também um grande sinal para a Europa, um grande sinal para a Ucrânia, um grande apoio ao nosso povo, então sou muito grato", disse Zelensky a jornalistas na ocasião. Os defensores do projeto disseram que a legislação permite ao presidente impor tarifas direcionadas sobre produtos importados de países que compram a maior parte do petróleo ou gás russos e que ajudam a Rússia a contornar as sanções. Segundo eles, o projeto limita essas tarifas aos cinco maiores importadores de petróleo bruto ou gás da Rússia e aos cinco principais países que ajudam Moscou a contornar as sanções ao setor de energia. O projeto também contém uma cláusula para garantir que o governo americano continue tendo respaldo legal para manter determinadas sanções contra o Irã, especificamente sanções destinadas a dificultar o financiamento dos setores iranianos de energia e armamentos.