Presidente ucraniano líder descreveu a votação como uma homenagem ao autor da proposta, o senador Lindsey Graham, no dia de seu funeral O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chega ao Capitólio na terça-feira, 28 de julho de 2026, em Washington. — Foto: AP/Allison Robbert O Senado dos Estados Unidos aprovou na terça-feira o avanço de um amplo projeto de sanções contra o setor de energia da Rússia, enquanto o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, visitava o Capitólio. O líder ucraniano descreveu a votação como uma homenagem ao autor da proposta, o senador Lindsey Graham, no dia de seu funeral. Graham estava entre os aliados mais influentes e vocais de Kiev no Congresso durante os quatro anos de guerra contra a Rússia, e o projeto busca aumentar a pressão econômica sobre Moscou por causa da invasão da Ucrânia. O placar foi de 86 votos a 12 em uma votação processual que permitiu o avanço da proposta, que prevê sanções contra autoridades russas e autoriza a imposição de tarifas elevadas sobre China, Índia e outros países para reduzir sua dependência do petróleo e do gás russos. O presidente americano, Donald Trump, disse que apoiaria a medida após solicitar que sanções contra o Irã fossem incorporadas ao texto, o que foi feito, em meio ao sexto mês da guerra de Washington contra Teerã. Embora os democratas apoiem amplamente as sanções, a autoridade concedida a Trump para impor tarifas despertou preocupações com um possível aumento dos custos das importações. Essas preocupações ameaçam as perspectivas de aprovação do projeto tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados, quando o Congresso retomar os trabalhos em setembro. Se virar lei, o projeto permitirá que Trump imponha tarifas de até 100% sobre países que sejam grandes consumidores de energia russa, incluindo Índia, Japão e alguns países da União Europeia, deixando a critério do presidente suspender essas tarifas. Alguns democratas disseram que votarão contra o projeto, que ainda precisa superar outras votações processuais no Senado antes da aprovação final. Depois disso, a Câmara, que só retomará as atividades em setembro, analisará a proposta. "Este projeto não é tanto uma lei de sanções, mas sim uma enorme autorização indireta para que o presidente Trump imponha mais tarifas, inclusive contra nossos aliados europeus, prejudicando as famílias americanas", afirmou em comunicado Gregory Meeks, principal democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, quando o texto foi apresentado neste mês. Os defensores da proposta, porém, afirmam que as tarifas são suficientemente restritas para cumprir seu objetivo de reduzir a receita energética da Rússia, que financia sua guerra contra a Ucrânia, sem provocar efeitos colaterais relevantes. Segundo eles, trata-se da melhor oportunidade para o Congresso americano aprovar uma legislação de apoio à Ucrânia, e a ampla votação bipartidária no Senado deverá impulsionar sua aprovação na Câmara, provavelmente no outono do Hemisfério Norte. "Este é o projeto que será aprovado. Este é o projeto que o presidente vai sancionar", disse o senador democrata Richard Blumenthal, de Connecticut, um dos autores da proposta e que viajou diversas vezes à Ucrânia com Graham, em entrevista coletiva após a votação. Visita de Zelensky Pouco antes de sua morte repentina, em 11 de julho, Graham anunciou que ele e Trump haviam finalmente chegado a um acordo para levar adiante a proposta, mais de um ano depois de sua apresentação. Zelensky, que foi a Washington para participar do funeral de Graham e se reunir com Trump, afirmou que a legislação enfraquecerá a capacidade da Rússia de financiar a guerra e enviará um forte sinal de apoio dos Estados Unidos ao povo ucraniano. "Também é um grande sinal para a Europa, um grande sinal para a Ucrânia, um grande apoio ao nosso povo. Sou muito grato", disse Zelensky a jornalistas antes de entrar no plenário do Senado para acompanhar a votação do projeto, agora chamado de "Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026". O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, recebe o senador republicano Lindsey Graham, na sede do governo ucraniano, em Kiev — Foto: Ukrainian Presidential Press Service/via Reuters Em comunicado, um grupo bipartidário de senadores favoráveis ao projeto afirmou que a legislação impedirá que as compras estrangeiras de petróleo e gás russos continuem financiando a "máquina de guerra" do presidente russo, Vladimir Putin, além de restringir "a capacidade do regime iraniano de apoiar o terrorismo e desenvolver seu programa nuclear". Entre os senadores está a republicana Darline Graham, irmã de Lindsey Graham, nomeada interinamente para ocupar a cadeira do senador pela Carolina do Sul e atualmente candidata à eleição para manter o mandato. Os parlamentares afirmaram que o projeto autoriza o presidente a impor tarifas direcionadas sobre produtos importados de países que compram a maior parte do petróleo ou gás russos e ajudam Moscou a contornar as sanções. Segundo eles, as tarifas ficam limitadas aos cinco maiores importadores de petróleo bruto ou gás russos e aos cinco principais países que ajudam a Rússia a driblar as sanções contra seu setor de energia. O texto também inclui um dispositivo para evitar a expiração da autoridade legal que restringe o financiamento aos setores de energia e armamentos do Irã.