O fim da ditadura militar e a criação da Assembleia Constituinte, no final de 1985, estimularam a discussão no Brasil sobre os direitos individuais, como o uso de drogas, algo até então fora do radar da política. Usuários passaram a tratar do assunto com mais seriedade, engajando-se na discussão para que o tema fosse incluído na Constituição. Também começaram a exigir o fim da repressão policial como a única maneira de lidar com o problema.
Não por acaso, no dia 1º de novembro de 1986 houve a primeira mobilização pública em São Paulo para reivindicar a descriminalização da cannabis. Chamado de Comício da Maconha pelo jornal Notícias Populares, foi realizado nas escadarias do Theatro Municipal e não tinha o envolvimento de nenhum partido. Participaram principalmente estudantes e o objetivo era exigir o direito de fumar sem ser preso. O número de policiais no local era equivalente ao de manifestantes, segundo o jornal.
Às 18h, assim que o protesto conseguiu ganhar corpo, todos os participantes foram colocados nos camburões da Garra, assim como transeuntes e curiosos que passavam pelo local, sob o argumento de apologia do uso de drogas. A repressão foi dura e os policiais portavam metralhadoras.






