A violência contra as mulheres segue em trajetória de alta no Brasil, mas os números de São Paulo revelam um cenário especialmente grave. No primeiro semestre deste ano, 142 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado — um aumento de 70% em relação ao mesmo período de 2022, último ano antes do início do governo de Tarcísio de Freitas.

No País, considerando o mesmo intervalo, a alta foi de 8%.

Os dados fazem parte de um levantamento do Instituto Sou da Paz, elaborado a partir de informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Para Malu Pinheiro, coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz, o avanço da violência letal contra as mulheres expõe a falta de uma estratégia permanente de prevenção. “É o reflexo da ausência de uma política continuada de prevenção à violência contra a mulher no estado”, afirma.

Enquanto os feminicídios avançam, os recursos destinados às políticas de proteção encolhem. Ano após ano, o governo Tarcísio reduziu a execução das verbas destinadas à Secretaria de Políticas para a Mulher. Em 2025, cerca de 70% do orçamento disponível para a área deixou de ser investido. Neste ano, o percentual não executado chegou a 54%.