"Você só chegou até aqui por minha causa." Uma das primeiras vezes em que a cineasta paulistana Anna Muylaert, de 62 anos, ouviu essa frase foi após lançar seu primeiro longa-metragem, "Durval Discos", de 2002, vencedor de sete prêmios no Festival de Gramado, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor roteiro.
De lá para cá, ela teve outros longas, como "É Proibido Fumar", de 2009, e "A Melhor Mãe do Mundo", do ano passado, mas continua ouvindo a mesma frase até hoje. Na época do lançamento de seu maior sucesso, "Que Horas Ela Volta?", de 2015, as tentativas de reduzir sua trajetória foram ainda piores.
Em uma reunião com o distribuidor americano do filme, percebeu que ele não olhava para ela. "Ele ficava elogiando as personagens, o roteiro e a direção só para o produtor. Parecia que não me via ali, que eu era uma criança", diz ela.
O sentimento de ser deixada de lado em relação ao próprio trabalho é comum entre mulheres, como mostra a pesquisa "Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras", feita pelo Estúdio Clarice, organização de inteligência e criação que investiga e fomenta o poder feminino por meio de pesquisas e produções audiovisuais, da qual Muylaert foi uma das entrevistadas.







