O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para cerca de 90% das pessoas próximas que não estejam protegidas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vacinação contra o sarampo — Foto: Divulgação/MS O sarampo voltou a circular na Região Metropolitana de São Paulo. Nesta sexta-feira, foram confirmados pela Secretaria de Saúde do Estado 23 casos neste ano (20 na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos). "Dos 23 casos confirmados no estado (de São Paulo), dois são importados e os demais estão relacionados à importação, embora ainda não tenha sido identificada a fonte de infecção. Até o momento, 16 pacientes não possuíam histórico de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto", diz a pasta em nota. Diante do risco de expansão, o Ministério da Saúde adotou uma medida excepcional: recomendou que São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo ofereçam a vacina contra o sarampo a todas as pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente de comprovarem vacinação anterior, durante a Campanha de Multivacinação, realizada de 3 de agosto a 1º de setembro. É a chamada vacinação indiscriminada. Não significa que o calendário habitual tenha mudado para todo o país. Trata-se de uma estratégia temporária, dirigida a uma região onde o vírus está circulando e onde milhões de pessoas se deslocam diariamente entre diferentes municípios. Os bebês de 6 a 11 meses devem receber a chamada dose zero da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Essa dose antecipada é importante porque os lactentes estão entre os grupos mais vulneráveis às formas graves da doença. Ela não substitui as doses de rotina: a criança deverá ser novamente vacinada aos 12 e aos 15 meses. O reforço é necessário porque a cobertura vacinal ainda é insuficiente. Em 2025, o Brasil alcançou 92,9% na primeira dose da tríplice viral, mas apenas 78,3% na segunda. Para impedir a circulação do sarampo, é preciso manter cobertura próxima de 95% com duas doses, não apenas na média nacional, mas em todos os bairros e municípios. Bolsões de baixa vacinação permitem que um caso importado dê início a um surto. A situação dos Estados Unidos mostra o tamanho desse risco. O país registrou em 2026 mais de 2.300 casos, o maior número em 35 anos. A maioria ocorreu em pessoas não vacinadas ou sem comprovação de vacinação, com forte participação de crianças e adolescentes. Os Estados Unidos haviam eliminado a transmissão contínua do sarampo em 2000. Com a queda da cobertura vacinal e o crescimento de comunidades com muitas pessoas desprotegidas, casos trazidos por viajantes voltaram a provocar grandes surtos. O Secretário de Saúde americano e o próprio presidente foram muito eficazes em aumentar a desconfiança nas vacinas, com seu negacionismo renitente, e o resultado está aí. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para cerca de 90% das pessoas próximas que não estejam protegidas. A transmissão ocorre pelo ar e pode acontecer antes do aparecimento das manchas vermelhas características da doença – isto é, antes do diagnóstico da doença. Além de febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas pelo corpo, a doença pode causar pneumonia, encefalite, internação e morte. Bebês, gestantes, idosos, pessoas desnutridas e imunossuprimidas apresentam maior risco de complicações. A vacina é altamente eficaz. Duas doses oferecem cerca de 97% de proteção; uma dose, aproximadamente 93%. Os surtos atuais não demonstram falha da vacina, mas falha em alcançar todas as pessoas que precisam ser vacinadas. As famílias que vivem em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo devem seguir a recomendação especial da campanha. Mas para todo mundo, é importante verificar se o esquema habitual está completo. Crianças devem receber as doses aos 12 e 15 meses. Quem não sabe se tomou ou não, vale procurar um posto de vacinação de sua cidade. Gestantes e pessoas com imunossupressão importante não devem receber a tríplice viral sem avaliação médica, pois ela contém vírus vivos atenuados. O Brasil recuperou em 2024 o certificado de país livre da circulação endêmica do sarampo. Mas esse resultado depende de vacinação elevada e contínua. O surto de São Paulo ainda é limitado. Este é justamente o momento de interrompê-lo.
Sarampo volta a circular em São Paulo: um alerta para a vacinação
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para cerca de 90% das pessoas próximas que não estejam protegidas













