Cientistas nos Estados Unidos usaram, pela primeira vez, inteligência artificial para criar vírus. A pesquisa é um marco na biologia sintética, que promete avanços na área da saúde, mas também suscita preocupações relacionadas à biossegurança e à segurança biológica.

Pesquisadores da Universidade Stanford desenvolveram um programa de IA generativa chamado Evo 2, capaz de escrever genomas, as instruções genéticas para a vida codificadas no DNA. Eles o utilizaram para projetar e produzir 16 fagos sintéticos, pequenos vírus que infectam bactérias.

Às vezes, fagos são usados no lugar de antibióticos para eliminar bactérias que causam doenças.

Em testes realizados em laboratório, os pesquisadores constataram que esses novos fagos eram mais eficazes para eliminar o microrganismo comum E. coli do que o fago natural phiX174, que serviu de modelo para o Evo 2. Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (6) na revista Science.

"Nosso estudo é uma prova de conceito que demonstra, pela primeira vez, que o design generativo pode criar genomas funcionais completos", afirmou Brian Hie, líder do projeto. "Optamos por trabalhar com fagos porque são vírus pequenos, bem estudados e com amplas aplicações em biologia molecular e tratamentos terapêuticos."