0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O designer mineiro Eduardo Lima está no Brasil para contar a sua trajetória e avançar no plano de ter uma loja de seu estúdio aqui — Foto: Divulgação/Studio MinaLima Um trailer sobre a vida do designer mineiro Eduardo Lima não deixaria dúvidas de que se trata de uma história marcada pela magia. Quarenta e quatro anos separam seu primeiro encantamento, ao assistir E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, em um cinema de Caxambu, da decisão precoce, aos 8 anos de idade, de trabalhar naquele universo, ao sucesso do Studio MinaLima, estúdio de design sediado em Londres que movimenta cerca de 7 milhões de libras por ano. Ao lado da britânica Miraphora Mina, Lima assina toda a identidade gráfica dos filmes de Harry Potter e do parque temático do bruxo. A dupla é a única da equipe de produção dos filmes a obter licenciamento da Warner Bros. para transformar o trabalho desenvolvido para a franquia em produtos próprios. Quem tiver em mãos o Mapa do Maroto — que permitia aos estudantes de Hogwarts acompanhar por onde circulavam seus colegas — perceberá que a trajetória de Lima o está trazendo de volta para casa. No momento, a tal magia que levou um jovem designer a chegar com o portfólio embaixo do braço no estúdio onde era filmado Harry Potter está dando lugar a tradicional burocracia. O designer se dedica ao levantamento de custos, à busca por fornecedores e à seleção de designers brasileiros para viabilizar a abertura da primeira loja do Studio MinaLima no Brasil. — A proposta é mais do que uma loja, eu quero também ter uma presença de design no Brasil. Toda vez que a gente começa a procurar pessoas para trabalhar no estúdio, recebe tantos e-mails e currículos do Brasil com portfólios maravilhosos, um talento incrível. Infelizmente, é complicado de trazer as pessoas para trabalhar em Londres. Por isso quero desenvolver um base brasileira. Meu ingresso no trabalho do Harry Porte foi justamente por conta das cores do Brasil que trazia no meu portfólio. Por outro lado, eu também me preocupo que os produtos que vamos oferecer aqui sejam acessíveis para a população, por isso a busca por uma cadeia de produção local — explica Lima. Loja do Studio MinaLima em Londres — Foto: Divulgação/Studio MinaLima O estúdio já mantém loja própria em Londres, além de espaços dentro de unidades da Universal Store, em cidades como Chicago, Tóquio e Seul. Nesses locais vende mais de 70 produtos licenciados do universo de Harry Potter, além de edições de luxo de clássicos da literatura infantil publicadas pela HarperCollins, que, juntas, já venderam mais de 5 milhões de exemplares, além de canetas, artes gráficas numeradas, mapas e outros itens. Um dos xodós do designer foi a produção, a pedido da família de Antoine de Saint-Exupéry, de uma edição especial para comemorar os 80 anos de O Pequeno Príncipe, seu livro preferido da vida. O estúdio lança seu primeiro jogo de tabuleiro inspirado no universo de Hogwarts e desenvolve uma nova história infantil, que pretende publicar inicialmente em português. Em um mundo digital, Lima e Mira fazem do papel um grande negócio. — Queremos trazer a criança de volta para a literatura. O projeto gráfico faz isso ao oferecer surpresas ao longo da leitura, criando uma experiência mais interativa e encantadora. Nossa relacionamento com as editoras internacionais na Europa, no Japão, na China, na Coreia, no Brasil, é incrível. A gente escrevendo e ilustrando o nosso primeiro livro original. Vai ser do mesmo estilo dos capa dura, dourado, cheio de surpresas imersivas dentro. Esse é o nosso próximo desafio, lançar a nossa história original com a visão de quem sabe transformar em filme, animação, a gente não para. O livro deve sair em outubro de 2027 e a ideia é ter uma edição em português — diz Lima. Nesta quinta-feira, Lima está no Rio Innovation Week no painel "Uma Odisseia Criativa: Autoria em Tempos Algorítmicos", onde contará como conseguiu construir um negócio de sucesso em plena era digital tendo o papel e a criatividade como principais matérias-primas. Ao público reunido no Píer Mauá, o designer vai relembrar a trajetória que começou quando deixou Minas Gerais para cursar Comunicação Visual na PUC-Rio, passa pelo trabalho como assistente de montagem de filmes como o Quatrilho, Pequeno Dicionário Amoroso, Navalha na Carne, até seu encontro com a sua atual sócia e a entrada no universo Herry Potter e com isso a exposição global do seu trabalho. — Quando acabamos os filmes, começamos a observar que as coisas que a gente fez estavam realmente marcando as pessoas. Os fãs queriam ter o Diário do Profeta, o mapa do maroto. Embora não tivéssemos nenhuma experiência sobre licenciamentos fomos a Warner Bros. e em três minutos de reunião tivemos nossa licença aprovada. O nosso portfólio se expandiu, hoje temos estúdios como da Disney e empresas de streaming interessados em desenvolver trabalhos conosco. As trajetórias não podem ser repetidas, mas se pudermos inspirar outras pessoas a usar sua criatividade e encontrar seu lugar no mundo, é o que eu pretendo.
Criador do universo gráfico de Harry Potter planeja primeira loja no Brasil e aposta em talento de designers brasileiros
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