Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Doutora em design pela Faculdade de Belas Artes, da Universidade de Lisboa, a recifense Marina Borba, 44 anos, foi convidada pela Fundação Gulbenkian para criar e expor acessórios de moda na loja de seu museu na capital portuguesa. As peças são inspiradas na exposição Arte & Moda, que tem atraído milhares de pessoas por semana. "As curadoras da loja do museu me procuraram em fevereiro e me propuseram criar acessórios baseados em três quadros da mostra que estreou em abril. Dos oito desenhos que apresentei, seis foram aprovados e estão à venda no museu", diz ela ao PÚBLICO Brasil.Marina, que mora em Portugal há dez anos, afirma que o convite da Gulbenkian é uma chancela importante para o seu trabalho, mas, sobretudo, para o projeto Uma Volta, que ela criou em 2024, reunindo designers imigrantes, todas mulheres. Foi por meio dele que a fundação chegou até a brasileira. "Tudo começou com a exposição Complexo Brasil, que ocupou o museu até fevereiro último. As curadoras da loja nos procuraram para que produzíssemos acessórios inspirados na mostra. E fizeram uma seleção do que tínhamos", ressalta. Quer receber notícias do PÚBLICO Brasil pelo WhatsApp? Clique aqui.Naquela oportunidade, foram produzidas mais de 60 peças. "Todos os meses, tínhamos de repor o estoque da loja do museu. Quase tudo o que produzimos foi vendido", conta Marina. "Essa parceria com a Gulbenkian foi importante porque leva o nosso trabalho para um público que, normalmente, não circula por Alvalade, onde fica o quiosque do Uma Volta. Estou falando dos turistas estrangeiros e mesmo dos portugueses que vêm de outras cidades para visitar as exposições", acrescenta.Com os pés bem fincados no chão, Marina não se deslumbra com a oportunidade de, agora, ter o seu trabalho solo exposto na loja de um dos museus mais importantes de Portugal. "Não há porque deslumbrar. Meus colegas de trabalho dizem que chegar ao museu da Gulbenkian é o topo para quem faz arte e design. Eu acho isso engraçado. Para mim, o mais importante é uma fundação tão conceituada reconhecer o trabalho de mulheres imigrantes. É uma barreira importante que foi derrubada", frisa ela, que trabalha no respeitado Instituto Superior Técnico.