Marcelo Noronha disse, nesta quinta-feira, que instituição sempre colaborou com autoridades para desvendar esquema 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Marcelo Noronha, presidente do Bradesco — Foto: Egberto Nogueira/Divulgação O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta quinta-feira que os bancos foram “vítimas” da fraude bilionária envolvendo a Americanas. Em junho, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma nova fase da Operação Disclosure e teve como um dos alvos de mandados de busca e apreensão Carlos Henrique Villela Pedras, diretor executivo do Bradesco. Segundo Noronha, a atuação do banco no caso foi de colaboração com as autoridades. — O Bradesco, assim como outros bancos, foi vítima. Acho que tem uma inversão aqui. O banco foi um colaborador com as autoridades para desvendar todo esse problema. Então, deixa aí a Justiça trabalhar, a Polícia Federal, que tem seu papel, trabalhar — disse Noronha, durante coletiva de imprensa sobre os resultados do segundo trimestre de 2026. O Bradesco registrou lucro recorde no segundo trimestre de 2026, chegando a R$ 7,1 bilhões, um crescimento de 16,2% com relação ao mesmo período do ano anterior e de 3,5% no trimestre. Estimativas compiladas pelo Valor apontavam crescimento de R$ 6,9 bilhões, levemente abaixo do resultado. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16,2%, ante 14,6% um ano antes. Esse indicador mostra o quanto o banco consegue gerar valor usando recursos próprios. A carteira de crédito expandida somou R$ 1,1 trilhão, com crescimento de 11,6% em 12 meses e de 4,3% no trimestre. Já a margem financeira total avançou 15,7% no mesmo intervalo, alcançando R$ 20,87 bilhões. A inadimplência subiu levemente (0,2 ponto percentual em um ano) para 4,3%, movimento considerado dentro das expectativas do banco. Desenrola Adimplentes descartado Dentro do escopo de programas do governo federal, Noronha afirmou que o Bradesco tem feito esforços para avançar no programa Move Brasil, embora reconheça desafios comuns aos bancos privados. Por outro lado, descartou entrar no Desenrola Adimplentes, modalidade voltada a consumidores que mantêm as contas em dia, mas têm alta parcela da renda comprometida com dívidas. O foco, neste caso, são os informais, que não têm acesso a modalidades mais baratas, como o consignado CLT. — Sobre o Desenrola Adimplente, a gente está mais distante dele, por conta da crença e da dificuldade de identificar renda para esse grau de informalidade — afirmou. No cenário externo, Noronha demonstrou maior otimismo que outros agentes de mercado, apesar da volatilidade associada aos juros elevados nos Estados Unidos e à incerteza quanto ao fim da guerra entre Estados Unidos e Irã. — Isso tudo causa volatilidade no mercado, causa mudança no mercado, mas tenho uma expectativa positiva: acho que, depois das eleições, seja quem for o presidente eleito, a gente terá, naturalmente, um trabalho e uma apresentação sobre política fiscal para os próximos quatro anos — disse. Retração na demanda durante eleições Já sobre o período eleitoral, ele disse que, naturalmente, o mercado se retrai em algumas semanas, e que deve haver alguma redução na demanda durante esse intervalo. — Então não dá para você imaginar um cenário que tem uma demanda como se teve no primeiro semestre. A gente estava com expectativa no início do ano de ter um mercado de equities melhor, mas, com a resiliência da taxa de juros, não está sendo exatamente como o mercado todo esperou [...] Vamos ter de acompanhar isso de forma muito dinâmica, porque você vai ter algum grau de redução de demanda no período de eleição — pontuou. No fim de julho, o Bradesco anunciou ao mercado um aumento de capital de R$ 10 bilhões por meio de subscrição de novas ações. Naquele momento, o banco também antecipou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 6,5 bilhões. Segundo Noronha, a decisão dos controladores representa um sinal de confiança na estratégia do banco. – Isso aqui foi uma decisão das acionistas controladoras. Colocaram na mesa, a gente debateu internamente, debatemos com o nosso conselho, o Conselho aprovou. A gente vê isso como extremamente positivo. Primeiro, é um voto de confiança na empresa, na organização. Segundo, um voto de confiança em toda a administração, em tudo que a gente vem fazendo no plano de transformação. E terceiro, que ele dá mais resiliência para a gente crescer. Ele aumenta o nosso capital tangível – avaliou.