Miltion Maluhy afirmou que é 'ilógico' afirmar que bancos participaram de esquema que resultou em prejuízos financeiros massivos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Milton Maluhy, presidente do Itaú, afirma que banco também foi vítima da fraude bilionária na Americanas — Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo O presidente do Itaú, Milton Maluhy, classificou o desfalque no caixa da Americanas como "uma das maiores fraudes já vistas no país" e afirmou que o Itaú, assim como o restante do sistema financeiro, foi uma vítima relevante que sofreu perdas bilionárias. O executivo rebateu veementemente qualquer sugestão de conivência dos bancos, argumentando que seria "ilógico" participar de uma fraude que resultou em prejuízos massivos para a própria instituição. — O problema não foi uma simples discussão de classificação contábil, mas sim uma ação deliberada de "omitir e ocultar" passivos, reforçando que a responsabilidade pela contabilidade é da companhia e de seus auditores — afirmou o presidente do banco, durante apresenetação do balanço do segundo trimestre, nesta quarta-feira. O presidente do banco afirmou que, mesmo somando todas as receitas geradas por operações de risco sacado (operação de antecipação de recebíveis que envolve três partes: a empresa compradora (sacado), o fornecedor (cedente) e uma instituição financeira) em anos anteriores, o sistema financeiro como um todo perdeu bilhões de reais com a fraude. — Se você puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é supernegativo" O executivo revelou que o Itaú já havia parado de operar com a Americanas antes da fraude vir à tona, justamente por ser rigoroso nas exigências de informações e dados que a empresa deveria prestar. Ele afirmou que os auditores têm um papel relevante e a "carta de circularização" (enviada pelos bancos) serve apenas como um apoio para esses auditores, não como prova de conivência bancária. Em junho passado, a Polícia Federal (PF) iniciou uma nova fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária na Americanas. Na ação, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Pela primeira vez, a investigação chegou aos acionistas da empresa e executivos de bancos, entre eles o Itaú, também foram alvos de busca. De acordo com a Polícia Federal do Rio de Janeiro, investigações relevaram "fortes indícios da prática de crimes de manipulação de mercado e associação criminosa". E que as apurações iniciadas após a primeira fase da Disclosure, em junho de 2024, mostraram que "os investigados tinham pleno conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos." Eleição trará alguma volatilidade Ainda durante a apresentação dos números do itaú, Milton Maluhy afirmou que os conflitos globais que pressionam os preços de commodities (petróleo e fertilizantes) e fretes, acabam gerando impactos inflacionários mundiais. Por isso, o banco mantém a cautela nesse cenário. Ele demonstrou preocupação também com a economia pujante dos Estados Unidos, que pode forçar o Federal Reserve (o banco central americano) a manter ou elevar os juros, pressionando as taxas e o câmbio globalmente. O banco revisou sua projeção de crescimento do PIB de 2,1% para 1,9%, este ano, e projeta a inflação em 5,1%, acima do teto da meta. Sobre o período eleitoral, o CEO afirmou que o banco está acostumado com a alternância democrática em seus 101 anos de história. Ele espera alguma volatilidade no mercado, mas nada desproporcional, destacando que a comunicação dos candidatos sobre seus planos de governo e o arcabouço fiscal será o fator determinante para a reação dos investidores. — O debate sobre a trajetória fiscal é fundamental, e o social e o fiscal têm que andar juntos. Um cenário fiscal desordenado gera inflação e reduz o poder de compra das famílias — afirmou.