O aquecimento do planeta teve forte influência nos incêndios florestais devastadores que assolam Ontário e os Territórios do Noroeste, no Canadá, desde o fim de junho, tornando pelo menos duas vezes mais prováveis as condições meteorológicas extremas que os alimentaram, segundo um relatório publicado nesta quinta-feira (6) pela World Weather Attribution (WWA).
Com as temperaturas globais cerca de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, o Canadá registra um aumento expressivo de condições climáticas extremamente quentes e secas —o ingrediente necessário para transformar pequenos focos em grandes incêndios.
Pesquisadores constataram que as condições severas por trás dos recentes incêndios em Ontário agora têm o dobro da probabilidade de ocorrer em comparação com um mundo não afetado pelas emissões de gases de efeito estufa causadas pela atividade humana.
A mudança é ainda mais acentuada nos Territórios do Noroeste. Ali, uma semana de condições climáticas propícias a incêndios tão extremas quanto as deste ano —que, sem o aquecimento global, ocorreria uma vez por década— agora deve se repetir a cada dois anos.
Esse aumento de duas vezes na probabilidade é muito ruim, segundo a professora de ciência do clima Friederike Otto, do Imperial College, de Londres, coautora do estudo. Diante do enorme desafio de conter incêndios florestais, "mesmo que a situação piore apenas um pouco, isso significaria que tudo ficaria ainda mais sobrecarregado", acrescentou ela.















