Área devastada pelo fogo caiu a menos da metade em 2025, mas previsão de seca severa no Norte é novo desafio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A fumaça de incêndios florestais no Canadá deixa o ar enevoado em Nova York — Foto: ANGELA WEISS / AFP/16-07/2026 São auspiciosos os resultados de estudo do MapBiomas mostrando que a área queimada no Brasil no ano passado foi de 12,7 milhões de hectares, valor correspondente a menos da metade do registrado em 2024 e 31% inferior à média histórica. Os números foram influenciados pela Amazônia, cuja extensão devastada pelo fogo despencou de 15,8 milhões de hectares em 2024 para 3,1 milhões em 2025, o menor patamar observado desde 1985, quando foi iniciada a medição. Por mais alentadores que sejam, os dados não dão motivo para relaxamento, pois a expectativa de um super El Niño neste ano deve servir de alerta. Também é boa notícia a redução de áreas queimadas no Pantanal, que registrou a maior queda proporcional entre os biomas, com 121 mil hectares em 2025, a menor extensão já computada e uma diminuição de 86% em relação à média histórica. Em 2024, as cenas de animais calcinados e vegetação devastada pelos incêndios florestais numa região de grande biodiversidade comoveram o país. Na contramão dos números positivos, a Caatinga foi o único bioma a queimar mais no ano passado. Chama a atenção que 47% de toda a área queimada estejam concentrados em três estados: Mato Grosso, Pará e Maranhão. Em nível municipal, 11% se estendem por 15 cidades, capitaneadas por Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA). Essa concentração, num país de dimensões continentais, deveria favorecer o combate às queimadas. Segundo os pesquisadores, a redução pode ser atribuída a uma série de fatores. Um dos mais importantes foi a questão climática, uma vez que o regime de chuvas entre 2024 e 2025 conseguiu conter as condições que favorecem a queima. Melhorias na governança também contribuíram. Em 2024, foram estabelecidos vários protocolos para prevenção e combate às chamas. A redução consistente no desmatamento também ajudou, diminuindo as fontes de ignição. Além disso, os estragos dos incêndios de 2024 levaram a uma pressão da sociedade para conter as queimadas. A despeito dos bons números, sabe-se que os incêndios florestais costumam aumentar em anos de El Niño — e também em períodos subsequentes. Agências meteorológicas têm apontado probabilidade superior a 80% de o Brasil enfrentar um evento “muito forte”. Entre os efeitos esperados, estão secas severas no Norte. Longos períodos de estiagem costumam tornar a vegetação altamente vulnerável ao fogo, que na maior parte do casos é provocado pela ação humana. Quando as condições se deterioram, o controle fica mais difícil. O Brasil já viu esse filme várias vezes. Incêndios florestais devastadores no Hemisfério Norte devem servir de exemplo. No Sul da Espanha, chamas incontroláveis mataram pelo menos 12 pessoas e produziram cenas de horror. No Canadá, a profusão de queimadas provocou nuvens gigantescas de fumaça que atingiram cidades dos Estados Unidos em plena Copa do Mundo. Não é improvável que fenômenos como esses se repitam no Brasil. Por isso é preciso se preparar desde já para enfrentá-los, mobilizando brigadas de incêndio, providenciando aeronaves de combate ao fogo, instruindo as populações, adaptando unidades de saúde, impedindo as queimadas em tempo real. Em 2024, o governo só começou a se mobilizar quando a fumaça dos incêndios cobriu Brasília. Espera-se que seja mais ágil agora.
Super El Niño será teste para queda de queimadas
Área devastada pelo fogo caiu a menos da metade em 2025, mas previsão de seca severa no Norte é novo desafio
















