O aumento de 1,9% no preço do QAV (querosene de aviação), anunciado pela Petrobras no último sábado (1º), elevou para R$ 5,2 bilhões o gasto extra das companhias aéreas brasileiras com combustível desde o início da Guerra no Irã, no fim de fevereiro.

O cálculo é da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), que atribui a alta à disparada das cotações internacionais do petróleo provocada pelo conflito. Desde então, o preço do QAV acumula aumento de 49%. A associação reúne as três companhias que atuam no país, Azul, Gol e Latam.

Com isso, o combustível passou a responder por 39% dos custos das companhias aéreas, ante 32% antes da escalada dos preços. Entre março e maio, o querosene chegou a dobrar de valor, levando empresas a rever projeções de voos.

Segundo a Abear, apenas em maio as companhias desembolsaram cerca de R$ 1,6 bilhão a mais do que o previsto com combustível. A entidade afirma que esse montante equivale ao custo de arrendamento de cerca de 830 aeronaves —número superior à frota atualmente em operação no país, de aproximadamente 500 aviões.

A comparação foi apresentada pela associação em audiência pública na Câmara dos Deputados. Em resposta às reclamações do setor, a Petrobras anunciou, em junho, uma redução de 14,2% no preço do querosene vendido às distribuidoras.