Partido de Carlos Lupi (PDT) ameaçava romper parcialmente com a chapa e desfigurar campanha em São Paulo, mas aceitou indicar dois nomes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 As ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado por São Paulo — Foto: Ana Paula Paiva/Valor No estouro do prazo definido pela Justiça Eleitoral, a chapa de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado por São Paulo estão, enfim, completas. Um acordo costurado com PT, PSOL e PDT elimina a possibilidade de mais candidaturas à esquerda e preserva o tempo de propaganda de rádio e TV de Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda do governo Lula e candidato ao governo do estado. Simone Tebet concorre ao lado do advogado Laio Morais (PT) como primeiro suplente e de Marcelo Barbieri (PDT), ex-prefeito de Araraquara, como segundo na fila. Marina Silva fechou a nominata com Djalma Nery (PSOL), vereador de São Carlos, e Antônio Neto (PDT), presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), nos respectivos cargos. O presidente do PDT, Carlos Lupi, havia demonstrado irritação, nos últimos dias, com a possibilidade de ficar apenas com as indicações de segundo escalão, fato que acabou se concretizando nesta quarta-feira (5). Internamente, membros da direção do partido cogitaram candidaturas próprias ao Senado, o que poderia pulverizar os votos da esquerda e dificultar a vida das ex-ministras do governo Lula. A falta de consenso teria ainda implicações no tempo de propaganda em rádio e TV das candidatas ou até forçar o PDT a ficar de fora da chapa de Haddad ao governo, o que traria implicações no plano de mídia do petista. As negociações ficaram concentradas no presidente estadual do PT, Kiko Celeguim, mas só foram destravadas por novo envolvimento de Lula para apaziguar os ânimos. O encaixe de peças é considerado estratégico pelo desempenho medido nas pesquisas — as duas estão numericamente à frente em levantamentos da Quaest e do Datafolha contra o grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) — e pela perspectiva de, uma vez eleitas, virem a assumir ministérios num eventual quarto mandato de Lula. O movimento ofereceria uma ascensão indireta ao Senado. Do lado de Simone, as conversas foram menos conflituosas, segundo apurou o GLOBO com interlocutores da campanha. O PT trouxe à baila alguns nomes, mas Laio era visto desde o começo como favorito ao posto, por ser um advogado ligado ao Grupo Prerrogativas, que toma para si o título de "padrinho" da vinda da ex-ministra a São Paulo, e ex-membro do gabinete de Haddad na Fazenda. Barbieri, por outro lado, é uma adição recente do PDT. Em 2022, fez campanha para a candidata a presidente da República no primeiro turno, quando ainda estava no MDB. A governador, apoiou primeiro Rodrigo Garcia, então no PSDB, e depois Tarcísio. Ele justificou a escolha, à época, pelo fato de o republicano ter participado do governo de Michel Temer e por ver nele um "gestor eficiente". Em entrevista antes da convenção estadual do PSB, no dia 31, a candidata informou que a decisão seria tomada pela executiva nacional do partido, sem a sua participação direta. Justificou essa postura pelo fato de os nomes apresentados terem "reputação ilibada, experiência e que me deixam muito confortável". — Já vou adiantar: eu não tenho interesse nenhum em assumir ministério, porque já ocupei essa missão. É natural, precisa-se mesmo dar importância para os suplentes, mas se Deus quiser vou ter bastante vida e saúde para, se for eleita, ficar oito anos no Senado Federal. O PDT pleiteou, principalmente, a primeira suplência de Marina, o que abriu uma frente de tensão com o PSOL, partido atualmente federado com a Rede. Havia a expectativa de que Neto, sindicalista e de bom diálogo com alas tradicionais do PT, tivesse a preferência na primeira vaga. Os psolistas, no entanto, engajados na plataforma da ex-ministra, venceram a queda de braço. — Somos uma frente ampla, estamos tratando isso com toda a prioridade, mas com a tranquilidade de saber que vamos chegar a uma solução adequada, com o método do consenso progressivo no qual eu acredito profundamente — reforçou Marina, naquele mesmo evento do PSB.