Segmento ainda é pouco explorado no país e soma atualmente cerca de R$ 10 bilhões em fundos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Com R$ 25 bilhões sob gestão, sendo R$ 5,5 bilhões no setor do agronegócio, a Riza Asset vai avançar no mercado de ativos florestais, segmento ainda pouco explorado no país e que hoje soma cerca de R$ 10 bilhões em fundos. A gestora está estruturando um fundo de aproximadamente R$ 1 bilhão para investir em florestas de eucalipto, com foco em investidores institucionais, especialmente estrangeiros, e expectativa de iniciar a captação em setembro. O veículo será um Fiagro, terá prazo de 15 anos e deverá adquirir inicialmente cerca de cinco propriedades, somando aproximadamente 20 mil hectares, onde serão implantadas florestas destinadas tanto ao fornecimento de madeira para a indústria de celulose quanto, principalmente, para o mercado de geração de energia renovável, para indústrias como usinas de etanol de milho, esmagadoras de soja e siderúrgicas. Segundo Paulo Mesquita, fundador do grupo Riza e responsável pela área de agronegócio, a gestora pretende aproveitar um momento de crescimento estrutural da demanda por madeira no país. "O Brasil vem recebendo novos projetos industriais ligados ao agronegócio que passaram a consumir madeira como fonte de energia. Isso criou uma nova perspectiva para regiões onde antes havia basicamente soja, milho e pecuária", afirmou. Hoje, os cerca de R$ 5,5 bilhões em estratégias ligadas ao agro estão concentrados principalmente em crédito e terras agrícolas. Embora a Riza já tivesse experiência em terras agrícolas, sua aproximação com ativos florestais começou no fim de 2022, quando adquiriu, por meio do fundo Riza EOS, a Ecobrasil Florestas. A operação permitiu à gestora conhecer mais profundamente o setor e identificar oportunidades além da indústria de celulose. Segundo o executivo, a tese agora inclui áreas próximas a polos industriais de processamento de grãos e produção de etanol de milho, onde o consumo de biomassa cresceu significativamente nos últimos anos. A preferência será por áreas de pastagens degradadas, cujo preço ainda é inferior ao de regiões tradicionais de silvicultura. Enquanto áreas consolidadas para produção de eucalipto no Mato Grosso do Sul chegam a custar cerca de R$ 35 mil por hectare, regiões de outros estados ainda apresentam preços próximos de R$ 18 mil por hectare, de acordo com Mesquita. "A ideia é usar nossa expertise em terras agrícolas para a aquisição dos ativos e para a implantação das florestas”, comenta ele, que cita seu fundo de terras Riza Terrax, listado na B3 desde 2020, com R$ 1,85 bilhão em valor de mercado. A expectativa é capturar tanto o retorno operacional da madeira quanto a valorização imobiliária das propriedades. O fundo foi desenhado para gerar receita por três frentes: venda da madeira; créditos de carbono; valorização das terras ao longo do ciclo de investimento. Como o corte do eucalipto ocorre aproximadamente a cada sete anos, os investidores deverão receber uma devolução relevante de capital nesse momento, enquanto a liquidação final ocorrerá ao término do fundo, após cerca de 15 anos. Segundo Mesquita, a procura por esse tipo de ativo vem crescendo entre investidores institucionais internacionais, que buscam exposição a ativos reais de longo prazo e projetos com características ambientais. A Riza já realizou conversas preliminares com investidores. A expectativa é avançar na estruturação ao longo do segundo semestre. Caso a estratégia tenha boa aceitação, a gestora pretende lançar novos veículos em intervalos de dois a três anos. Paulo Mesquita, da Riza: plano de aproveitar momento de crescimento estrutural da demanda por madeira no país — Foto: Gabriel Reis/Valor
Riza quer levantar R$ 1 bi para fundo de florestas e mira demanda de estrangeiros por ativos ESG
Segmento ainda é pouco explorado no país e soma atualmente cerca de R$ 10 bilhões em fundos







