A Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos (OFAC) sancionou duas pessoas, três empresas brasileiras e uma portuguesa por supostas ligações com uma rede de lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a própria agência, a medida é apenas a “primeira rodada” de uma série de sanções ainda por vir.

A sequência amplia o debate sobre como empresas identificam risco em fornecedores, parceiros, clientes e outras relações de negócio. Para especialistas, o momento reforça a necessidade de considerar riscos escondidos, muitas vezes ligados à propriedade indireta, a beneficiários finais e a redes de relacionamento dentro de cadeias empresariais.

Dielson Haffner, sócio e head da Netrin, empresa especializada em gestão de riscos de terceiros, afirma: “Muitas estruturas potencialmente relevantes, sob o ponto de vista de gestão de riscos, não são identificadas por uma simples consulta ao nome ou ao CNPJ. O desafio empresarial está em entender quem controla uma empresa, quais relações existem ao redor dela e como esse risco muda ao longo do tempo”.

Segundo o especialista, embora não seja correto afirmar que toda empresa brasileira passou automaticamente a responder à OFAC, já que isso depende de fatores como a natureza da operação, as partes envolvidas e a existência de ativos ou transações sob jurisdição americana, também é incorreto supor que a questão afeta apenas o sistema financeiro.