Novo revés lança incertezas sobre viabilidade de candidatura de influenciador e empresário ao Senado; ainda cabe recurso ao TSE 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pablo Marçal, ex-candidato à prefeitura de São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) formou maioria nesta quarta-feira (5) para manter inelegível até 2032 o empresário e influenciador Pablo Marçal (União Brasil), que pretende disputar uma vaga no Senado pelo estado de São Paulo. O julgamento, que está ocorrendo no plenário virtual, se encerra às 15h desta quarta-feira e já contabiliza cinco votos contra Marçal. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse novo revés na Justiça Eleitoral lança incertezas sobre a viabilidade dos planos de Marçal no pleito de outubro. Mesmo assim, ele pode, se quiser, insistir em disputar as próximas eleições e concorrer “sub judice”, até o TSE bater o martelo sobre o seu registro, apontam especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo blog. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada no último dia 29, o empresário e coach aparece em terceiro lugar na disputa por uma cadeira no Senado Federal pelo estado de São Paulo, com 9%, atrás das ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que lideram as intenções de voto do eleitorado com 14% e 12% respectivamente. As duas fazem parte da chapa de Fernando Haddad (PT). que concorre ao Palácio dos Bandeirantes. Já o União Brasil apoia a reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cuja chapa conta com as candidaturas do deputado federal Guilherme Derrite (PL) e do deputado estadual André do Prado (PL), que pontuam menos que Marçal nas pesquisas, na faixa de 8% e 5%, respectivamente – e disputam votos no mesmo campo da direita. A pontuação de Marçal nas pesquisas fez os potenciais adversários passarem a acompanhar com mais atenção os processos na Justiça Eleitoral, para monitorar o risco de ter de enfrentar mais um adversário numa disputa eleitoral já bem fragmentada. Campeonatos de cortes Marçal entrou com um recurso no TRE-SP, julgado agora, após ser condenado pela Corte regional em dezembro de 2025 por uso indevido dos meios de comunicação durante a corrida pela prefeitura de São Paulo, em 2024. Naquele pleito, promoveu “campeonatos de cortes” e prometeu ganhos financeiros a apoiadores que disseminassem o seu conteúdo nas redes, o que o colocou na mira de ações movidas pelo Ministério Público e pelo PSB da deputada federal Tabata Amaral, quarta colocada na disputa pela prefeitura. Então candidato pelo nanico PRTB, Marçal terminou a disputa em terceiro lugar, com 28,14% dos votos – apenas 56,8 mil votos atrás de Guilherme Boulos (PSOL), que acabou derrotado no segundo turno pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Expectativa frustrada O TRE de São Paulo, no julgamento de dezembro, afastou as acusações de abuso de poder econômico e gastos ilícitos de campanha, mas concordou com as alegações de uso indevido dos meios de comunicação. Aquele julgamento resultou na inelegibilidade de Marçal por um período de oito anos e na aplicação de uma multa de R$ 420 mil. “A estratégia de engenharia social, desenvolvida pelo recorrente [Pablo Marçal], é realmente inovadora no contexto das eleições brasileiras, mas também é proibida, seja pela impossibilidade de controle (mesmo pelos seus organizadores) e de fiscalização; seja pela oferta de remuneração de pessoas físicas, para a promoção de candidatura”, observou o relator do caso, Cláudio Langroiva Pereira. “A técnica foi desenvolvida para permitir a mobilização de massa, sem possibilitar qualquer tipo de controle, razão pela qual é expressamente vedada pela Lei Eleitoral.” Mesmo assim, o placar apertadíssimo – de 4 a 3 pela condenação do influenciador –, além das mudanças na composição da Corte Eleitoral, com a troca na presidência e na vaga reservada a juristas, deram esperança a aliados do empresário de uma reviravolta, o que não ocorreu. Durante a campanha eleitoral de 2024, Marçal também prometeu gravar vídeos de apoio a candidatos a vereador que fizessem transferências PIX no valor de R$ 5 mil para a campanha dele. “Você conhece alguém que quer ser vereador e é candidato? Que não seja de esquerda, tá? Esquerda não precisa avisar. Se essa pessoa é do bem e quer um vídeo meu para ajudar a impulsionar a campanha dela, você vai mandar esse vídeo e falar 'olha aqui a oportunidade'. Essa pessoa vai mandar um PIX pra minha campanha, de doação, um PIX de R$ 5 mil”, diz o vídeo.