De tão apaixonado pelas estrelas de Hollywood, o empresário Claudio Sarrat Duarte evocou duas delas ao batizar as filhas que teve com a mulher, Cecília. A primogênita, Marlene, foi uma homenagem a Marlene Dietrich. A caçula, Lys, um tributo a Elizabeth Taylor.

Duarte nasceu em 1908 no Rio de Janeiro, se mudou para Santos, no litoral paulista, na adolescência e, no final dos anos 1930, se estabeleceu em São Paulo, onde foi um dos sócios-fundadores da Drogaria São Paulo. Morreu em 2002, aos 93 anos.

Cinéfilo inveterado, vivenciou a ascensão e declínio da chamada era de ouro de Hollywood, que teve seu auge dos anos 1930 aos 1950. Os vestígios dessa relação sobrevivem num amplo acervo formado sobretudo por fotos de atrizes e atores, do qual parte significativa segue preservada graças ao designer industrial Antônio Job, num enredo que daria um filme.

Amigo de uma neta de Duarte –Márcia Fasano, produtora de teatro, cinema e TV–, Job recebeu o acervo como doação pouco após a morte de Cecília, viúva do empresário, em 2012. O conjunto preservado por ele tem 130 fotografias autografadas, tiradas entre 1932 e 1937.

Algumas tem dedicatórias feitas especialmente para Duarte, e há cartas e envelopes com a correspondência entre o empresário e os principais estúdios americanos da época, como Metro-Goldwyn-Mayer, Warner Bros. e RKO. Álbuns com fotos e recortes de revistas confeccionados pelo cinéfilo completam a coleção.