Ao lado de Lucy Barreto, produtor fundou a LC Barreto e transformou a paixão pelo audiovisual em um legado familiar que atravessou três gerações e marcou a história do cinema brasileiro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Na foto, sentados na cadeira, o casal Luiz Carlos e Lucy Barreto. Em pé, atrás, Marcelo Santiago, e os filhos Paula e Bruno Barreto. Nas laterais, as netas Julia (cabelo curto) e Helena, filhas de Fabio e Bruno — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo A morte de Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos nesta quarta-feira encerra um dos capítulos mais importantes da história do cinema brasileiro. Mas o legado do produtor, diretor e fotógrafo vai muito além da trajetória individual. Ao lado da mulher, Lucy Barreto, ele construiu uma família cuja influência atravessou gerações e ajudou a moldar o audiovisual brasileiro desde os anos 1960. A história começou antes mesmo da fundação da LC Barreto Produções Cinematográficas, em 1963. Depois de atuar como repórter e fotógrafo nos Diários Associados, Barretão se aproximou dos nomes que liderariam o Cinema Novo e participou da realização de obras que mudariam os rumos da produção nacional. Foi nesse período que conheceu Lucy, com quem dividiria a vida e também a carreira. Encontro da família Barreto, importante dinastia do cinema brasileiro 1 de 8 Produtor Luiz Carlos Barreto, aos 95 anos — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo 2 de 8 Produtora Lucy Barreto, aos 90 anos — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Produtora Paula Barreto ao lado do irmão Bruno Barreto, diretor — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo 4 de 8 Na foto, sentados na cadeira, o casal Luiz Carlos e Lucy Barreto. Em pé, atrás, Marcelo Santiago, e os filhos Paula e Bruno Barreto. Nas laterais, as netas Julia (cabelo curto) e Helena, filhas de Fabio e Bruno — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo X de 8 Publicidade 5 de 8 Luiz Carlos Barreto, o Barretão, na rede de seu apartamento, junto ao jardim de Lucy — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo 6 de 8 Documentarista Julia Barreto, filha de Fábio Barreto e neta de Lucy e Luiz Carlos Barreto — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo X de 8 Publicidade 7 de 8 Fotógrafa Helena Barreto, filha de Bruno Barreto e neta de Lucy e Luiz Carlos Barreto — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo 8 de 8 Na foto, sentados na cadeira, o casal Lucy e Luiz Carlos Barreto. Em pé, atrás, Marcelo Santiago, e os filhos Paula e Bruno Barreto. Ao chão, as netas Julia (cabelo curto) e Helena, filhas de Fabio e Bruno — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo X de 8 Publicidade Luiz Carlos e Lucy Barreto trouxeram filhos e netos para dentro da produtora LC Barreto Ao longo das décadas, o casal transformou a LC Barreto em uma das produtoras mais importantes do país. Do catálogo da empresa saíram filmes que marcaram diferentes gerações, como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), "Bye Bye Brasil" (1980), "O Quatrilho" (1995) e "O Que É Isso, Companheiro?" (1997), além de produções ligadas ao Cinema Novo, como "Garrincha, Alegria do Povo" (1963), "A Hora e Vez de Augusto Matraga" (1965) e "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" (1969). Se Barretão se consolidou como um dos grandes produtores do cinema brasileiro, Lucy tornou-se uma referência na condução da produtora e na estruturação dos projetos que garantiram a continuidade da empresa ao longo de mais de seis décadas. Em diferentes momentos, os dois acompanharam as transformações da indústria cinematográfica nacional, atravessando períodos de expansão, crises de financiamento e mudanças nas políticas públicas para o setor. Os filhos também seguiram o mesmo caminho. Bruno Barreto construiu uma carreira de destaque como diretor. Além do sucesso de público de "Dona Flor e Seus Dois Maridos", comandou "O Que É Isso, Companheiro?", adaptação do livro de Fernando Gabeira indicada ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Fábio Barreto também alcançou reconhecimento internacional. À frente de "O Quatrilho", levou o filme à disputa pelo Oscar na mesma categoria. Sua trajetória, porém, foi interrompida em 2009, quando sofreu um grave acidente de carro que o deixou em coma por quase dez anos. Ele morreu em 2019. A filha caçula, Paula Barreto, assumiu a condução da LC Barreto e passou a liderar a produtora fundada pelos pais, mantendo ativa uma das empresas mais tradicionais do audiovisual brasileiro. A influência da família chegou ainda à terceira geração. Alguns dos netos de Luiz Carlos e Lucy passaram a trabalhar na produtora, enquanto outros seguiram carreiras ligadas ao cinema. Helena Barreto tornou-se fotógrafa still, responsável pelos registros de bastidores de produções audiovisuais, enquanto Julia Barreto atua como produtora e diretora. A continuidade da família dentro da produtora era motivo de orgulho para Barretão. Em uma de suas últimas entrevistas ao GLOBO, ele resumiu o vínculo dos Barreto com o cinema em uma frase que acabou se tornando um retrato da própria família. — O vírus do cinema contaminou toda a família. O reconhecimento ao trabalho da família também se refletiu no alcance de suas produções. Filmes produzidos pela LC Barreto reuniram alguns dos maiores públicos da história do cinema brasileiro, conquistaram espaço em festivais internacionais e renderam duas indicações ao Oscar de Melhor Filme Internacional, com "O Quatrilho" e "O Que É Isso, Companheiro?". Mais do que uma sucessão de profissionais da mesma família, os Barreto consolidaram uma rara continuidade em um setor marcado por dificuldades de financiamento e interrupções de produção. Durante mais de seis décadas, diferentes gerações participaram da realização de obras que acompanharam as transformações do país e ajudaram a escrever parte da história do cinema brasileiro.