O El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico na faixa equatorial, deve continuar influenciando o clima brasileiro ao longo de agosto e ajudar a moldar um cenário de eventos extremos pelo país, segundo meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil.

A expectativa é de temperaturas acima da média em praticamente todo o país, mas com efeitos diferentes de uma região para outra.

No Sul, o fenômeno aumenta a probabilidade de chuvas intensas e temporais, com risco de ventos fortes, granizo e alagamentos. No Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão é de calor acima do normal e baixa umidade do ar. Já no Norte e no Nordeste, a tendência é de menos chuva, favorecendo o avanço das queimadas.

Mas o calor não deve impedir a chegada de massas de ar polar. Uma nova onda de frio deve atingir o Sul, o Sudeste e parte do Centro do país por volta do dia 11, afirma o meteorologista Franco de Assis Diniz, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Depois disso, a segunda quinzena deve voltar a registrar temperaturas acima da média.

O El Niño, que se configurou em junho, deve permanecer ativo até o início de 2027 e atingir seu pico entre outubro e novembro, afirma Diogo Arsego, meteorologista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em agosto, o fenômeno deve manter uma de suas principais características no Brasil: favorecer chuvas acima da média no Sul.