Segundo dados do Portal da Transparência do CNJ, em junho de 2026, Gabriela teve remuneração bruta de R$ 77.983,48 e líquida de R$ 56.161,46. Os valores consideram penduricalhos, que variam mês a mês. O subsídio fixo da magistrada é de R$ 39.753,21. A apuração foi aberta pelo CNJ em 2024 depois que uma fiscalização feita pela Corregedoria apontou supostas irregularidades na validação por Gabriela Hardt de um acordo que tinha o objetivo de criar uma fundação privada que seria abastecida com recursos da Lava Jato, a partir do pagamento de multas de empresas condenadas. Os valores chegariam a R$ 2 bilhões. A aplicação da punição contra a magistrada foi aprovada por unanimidade. E, por 10 votos a 4, prevaleceu a sanção de dois anos. A juíza conduziu a operação no período em que assumiu a 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná. Atualmente, ela está na 23ª Vara Federal em Curitiba. Ela também foi acusada de plagiar uma sentença de Moro no processo. Relembre abaixo. Hardt assumiu temporariamente a 13ª Vara Federal durante as férias e o afastamento do juiz Eduardo Appio, afastado após uma investigação apontá-lo como autor de uma ligação telefônica com tom de ameaça ao filho de um desembargador federal. Juíza Gabriela Hardt assumirá os processos da Lava Jato — Foto: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo Hardt é paranaense, tem 47 anos e cresceu em São Mateus do Sul, a 150 quilômetros de Curitiba. O pai dela trabalhava em uma unidade da Petrobras que fica na cidade. Formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o ex-juiz Sérgio Moro dava aulas, ela prestou concurso para a Justiça Federal em 2007 e foi nomeada juíza dois anos depois, para uma vaga em Paranaguá, no litoral do estado. Em 2014, foi nomeada juíza substituta na 13ª Vara Federal e assumia os trabalhos quando o juiz Sergio Moro saía de férias. Em uma dessas ocasiões, em maio de 2018, Gabriela Hardt mandou prender o ex-ministro José Dirceu, que, na sequência, conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Hardt afirmou que fez a sentença com base na do colega e esqueceu de tirar a palavra "apartamento". Ela frisou, contudo, que a fundamentação e os fatos narrados eram diferentes no documento por ela redigido. Fora da magistratura, a juíza é atleta. Ela começou a nadar ainda jovem e competiu em provas de maratonas aquáticas, nadando cinco quilômetros em águas abertas. Afastamento A apuração foi aberta pelo CNJ em 2024, depois que uma fiscalização feita pela Corregedoria apontou supostas irregularidades na validação por Gabriela Hardt de um acordo que tinha o objetivo de criar uma fundação privada que seria abastecida com recursos da Lava Jato, a partir do pagamento de multas de empresas condenadas. Os valores chegariam a R$ 2 bilhões. O afastamento do cargo, chamado de "pena de disponibilidade", é a segunda sanção mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). O magistrado fica afastado, mas continua com vencimentos proporcionais e fica proibido de exercer outras funções, como advocacia ou cargo público. O conselheiro Rodrigo Badaró, relator do processo, avaliou que houve falta de cautela da juíza que homologou o acordo em menos de 48 horas, sem a prudência devida. "Ninguém quer demonizar o interesse de recuperar dinheiro para o Brasil, mas nossa obrigação aqui é verificar se a juíza naquele momento deveria ter tido mais cuidado, adentrado mais na questão, deveria ter notificado as partes, consultado órgãos", disse. O conselheiro afirmou que não há indícios de que Hardt tenha atuado com intuito de proveito próprio. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná