Proposta apresentada pela APIB reúne reivindicações para um eventual novo mandato do presidente e busca influenciar o debate eleitoral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 rianças brincam na Terra Indígena Kayabi. A APIB lançou nesta quarta-feira o documento 'Nosso Território, Nossa Vida', que reúne propostas do movimento indígena para temas como demarcação de terras, participação política, preservação ambiental e valorização dos conhecimentos tradicionais — Foto: Caio Mota A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) lança nesta quarta-feira o projeto "Nosso Território, Nossa Vida", documento que reúne as principais diretrizes políticas do movimento indígena para o país e será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta, apresentada como um "projeto de país e de vida", pretende orientar o debate das eleições de 2026, fortalecer a participação indígena na política institucional e servir de referência para candidaturas indígenas e não indígenas. O lançamento ocorre às 10h, em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença de lideranças indígenas de todas as regiões do país. Após o evento, o documento ficará disponível para consulta pública em uma plataforma na internet, onde cidadãos e organizações também poderão aderir formalmente à iniciativa. Um dos principais pontos da proposta é a defesa da demarcação de todas as Terras Indígenas até 2030. O documento também reafirma o apoio da APIB à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, oficializado pelo movimento durante o Acampamento Terra Livre (ATL). — Nosso projeto político dialoga e cobra a demarcação de todas as Terras Indígenas até 2030 — afirma o coordenador executivo da APIB, Dinamam Tuxá. Um projeto para além das eleições Segundo a APIB, o documento foi concebido para fortalecer a organização política dos povos indígenas, A ideia é consolidar uma estratégia permanente de atuação nos territórios, no Congresso Nacional, no Executivo e no Judiciário. A proposta também busca ampliar alianças com outros movimentos sociais e organizações populares. O texto afirma que o país vive uma disputa sobre seu modelo de desenvolvimento e que os ataques aos povos indígenas fazem parte desse cenário. Conheça o trabalho do Hospital São Paulo (HSP/Unifesp) e do Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas (ASPIN) 1 de 11 Dr. Clayton Coelho em atendimento em aldeia dos indígenas Wauja — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP 2 de 11 Paciente indígena passa por exame de imagem no Hospital São Paulo, que atende casos de média e alta complexidade. — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Atendimento a paciente indígena no Hospital São Paulo, referência nacional em assistência especializada aos povos indígenas. — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP 4 de 11 Fachada do Hospital São Paulo, na capital paulista, onde o cacique Raoni Metuktire está internado. — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP X de 11 Publicidade 5 de 11 Dr. Douglas Rodrigues em atendimento em aldeia dos indígenas Wauja — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP 6 de 11 Pesquisa ação entre os indígenas Kawaiete — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP X de 11 Publicidade 7 de 11 Oficina de Saúde da Mulher entre os indígenas Wauja — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP 8 de 11 Dr. Douglas Rodrigues em consulta com os indígenas Kaiabi — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP X de 11 Publicidade 9 de 11 Cuidados entre os indígenas Mehynako — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP 10 de 11 Vacinação entre os indígenas Ikpeng — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP X de 11 Publicidade 11 de 11 Pesquisa ação entre os indígenas Yudjá — Foto: Acervo Projeto Xingu - UNIFESP Hospital que trata Raoni acumula seis décadas de experiência na saúde indígena e já realizou mais de 35 mil atendimentos "Mais do que enfrentar cada ameaça de forma isolada, afirmamos que elas fazem parte de uma disputa sobre o futuro do Brasil. Por isso, apresentamos um projeto capaz de orientar a ação coletiva e fortalecer a organização dos povos para além das eleições", diz o documento. Ao explicar o conceito que dá nome à proposta, a APIB afirma que território deve ser entendido como um espaço onde se desenvolvem as relações sociais, culturais e ambientais que garantem a continuidade dos povos. "Quando dizemos 'Nosso Território, Nossa Vida', afirmamos que território é onde a vida acontece. É o lugar da memória, do cuidado e da continuidade dos povos. É onde cada comunidade produz alimento, compartilha conhecimentos, fortalece sua espiritualidade e constrói seu futuro", afirma o texto. Territórios, participação e meio ambiente O documento estabelece um diálogo com o programa Minha Casa, Minha Vida ao afirmar que amplia a noção de moradia a partir da visão dos povos indígenas. A proposta parte da ideia de que a casa está inserida em um território que reúne dimensões culturais, ambientais, espirituais e comunitárias. "O nome dialoga com o programa Minha Casa, Minha Vida. Essa referência reconhece a importância da moradia e amplia esse sentido a partir da visão dos povos indígenas. Para nós, a casa existe dentro de um território vivo, compartilhado e protegido", afirma o documento. O documento é organizado em seis eixos que reúnem as principais diretrizes defendidas pela APIB. Entre elas estão: Proteção dos territórios indígenas: defesa da demarcação das terras, reforço da fiscalização contra invasões, garantia da consulta prévia às comunidades afetadas por empreendimentos e combate ao garimpo ilegal, à mineração e a outras atividades consideradas prejudiciais aos territórios tradicionais. O texto também propõe reconhecer rios, florestas e outros ecossistemas como elementos centrais para a proteção da vida e o enfrentamento das mudanças climáticas.Valorização dos conhecimentos tradicionais: fortalecimento das línguas indígenas, das medicinas tradicionais, da educação intercultural e reconhecimento da contribuição dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais para a formação do país.Ampliação da participação política: aumento da presença de indígenas em instituições públicas, no sistema de Justiça, em conselhos e conferências, além do incentivo à participação de mulheres, jovens e outros grupos historicamente sub-representados.Fortalecimento da participação social: ampliação dos mecanismos de participação popular nas decisões públicas, com propostas como investimentos em conectividade, transporte, tradução para línguas indígenas e formação política.Novo modelo de desenvolvimento: incentivo à agroecologia, às economias comunitárias, à soberania alimentar e à valorização das formas tradicionais de produção.Articulação entre movimentos sociais: fortalecimento de alianças entre povos indígenas, quilombolas e outros movimentos em torno de pautas ligadas à democracia, aos direitos territoriais e à proteção ambiental.
Movimento indígena entrega documento a Lula e fixa meta de demarcar terras até 2030
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