Indicador reflete uma mudança no perfil da criminalidade, com queda dos crimes que dependem da presença física e avanço das fraudes e dos delitos praticados por meios digitais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Policiamento nas ruas — Foto: O Globo Os casos de estelionato superam os de roubo de rua no estado do Rio de Janeiro. É o que aponta o estudo Panorama da Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro, produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e divulgado nesta quarta-feira. Segundo o relatório, em 2015 o estelionato representava menos da metade dos registros de roubo de rua no estado. Dez anos depois, em 2025, o número de ocorrências passou a ser 2,6 vezes maior. O movimento não é exclusivo do Rio e se repete em diversas partes do país, refletindo uma mudança no perfil da criminalidade, marcada pelo avanço dos crimes praticados por meios digitais. Em 2025, foram contabilizados 146.981 casos de estelionato, o equivalente a uma taxa de 853,4 ocorrências por 100 mil habitantes. O número representa um aumento de 297% em relação a 2015, quando foram registrados 35.595 casos. "Os crimes que dependem de presença física, de violência direta e de exposição no espaço público perderam intensidade na maior parte do território ao longo da década. Já os crimes praticados por meios digitais e por fraude cresceram em todas as regiões, sem exceção, e o estado do Rio avança no estelionato em ritmo superior à média nacional", afirma o estudo da Firjan. Crescimento não é uniforme A Firjan destaca, no entanto, que esse crescimento no Rio não ocorreu de forma uniforme entre as regiões do estado. Segundo o estudo, "a Capital, que ainda concentra metade dos registros estaduais, apresenta o ritmo de crescimento mais lento, enquanto as regiões Centro-Sul Fluminense, Centro-Norte Fluminense e Serrana registram aumentos de até 497% e 709%". A federal destaca que as regiões menos urbanizadas foram as que registraram os maiores aumentos nos casos de estelionato. Segundo a federação, o cenário revela que o risco de golpes e fraudes "deixou de ser um fenômeno concentrado na metrópole e passou a crescer de forma mais rápida justamente onde a infraestrutura de segurança, tradicionalmente voltada ao enfrentamento da violência de rua, tem menor experiência acumulada com esse tipo de crime". A federação também destaca que o Rio é um dos três estados brasileiros que não separam, nas estatísticas oficiais, os casos de estelionato praticados por meios eletrônicos — ao lado de São Paulo e Ceará. Para a entidade, essa falta de segregação compromete a análise do peso das fraudes digitais nos indicadores de criminalidade. O estudo elaborado pela Firjan tem como base os dados históricos do Instituto de Segurança Pública (ISP) e busca analisar a violência sob uma perspectiva regional, além de acompanhar o comportamento dos municípios nos principais indicadores de criminalidade. O relatório, divulgado nesta quarta-feira, identificou dois movimentos marcantes ao longo da última década: "reduções expressivas nos crimes que dependem de presença física no espaço público, como o roubo de rua e, de forma heterogênea, a letalidade violenta, e o crescimento consistente e generalizado do estelionato e da extorsão". Roubo de rua Em 2025, o estado do Rio registrou uma taxa de roubo de rua 36% menor do que a observada em 2015. No ano passado, foram contabilizados 56.865 registros nas delegacias fluminenses, contra 85.280 em 2015. Segundo o estudo, "a queda é real e generalizada, mas esconde uma concentração territorial que já era acentuada em 2015 e se intensificou ao longo da década. Capital, Caxias e Região, Nova Iguaçu e Região e Leste Fluminense respondem hoje por 99% de todos os registros do estado". O estudo também mostrou que o estado do Rio registrou 56.838 mortes violentas nos últimos dez anos. O levantamento considera os casos de homicídio doloso, morte por intervenção de agentes do Estado, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. Segundo o estudo, o total de ocorrências registradas entre 2015 e 2025 supera a população de 56 dos 92 municípios fluminenses. Ou seja, é como se toda a população de cidades do porte de Paraty ou Guapimirim "tivesse sido extinta pela violência ao longo desses dez anos", aponta o relatório.