A escalada da violência na Guerra da Ucrânia, que já colocou 2026 como o ano de mais ataques de lado a lado por dia no conflito até aqui, tem cobrado um alto preço da população civil. O número de mortes por dia nas três primeiras semanas de julho é o maior desde março de 2022, no início da invasão russa.
Até o dia 23 do mês passado, morreram 2.369 civis em ambos os lados, ou 78% do total registrado em 2025. Em janeiro, a taxa diária de mortes era de 7,1 mortos, chegando agora a 21 —maior índice após o pico de 74,7 na aurora da ação iniciada por Vladimir Putin.
Os dados são os mais recentes do Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, no acrônimo em inglês), programa referencial deste tipo de levantamento a partir de fontes abertas. A ONU afirma que todas as estimativas são subestimadas.
Como os números vêm de relatórios e do noticiário, distorções são previsíveis. A carnificina também não se compara à dos campos de batalha, onde até aqui uma estimativa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (EUA) aponta até 450 mil mortes russas e 140 mil ucranianas.
O impacto sobre civis ganhou impulso com o recrudescimento dos dois lados neste ano: Kiev passou a atacar com mais afinco o vizinho com drones e mísseis de fabricação própria, dos quais antes não dispunha, e Moscou apertou ainda mais sua campanha ao ver faltar gasolina em postos devido à ação dos rivais.








