O avanço transnacional das economias criminosas deixou de ser um problema restrito às fronteiras. Infiltrou-se nas instituições e no mercado formal, ameaçando a estabilidade econômica de toda a América Latina.
Essa foi a conclusão do seminário internacional "Mercados Sitiados: Crime Organizado Transnacional e a Ascensão das Economias Ilícitas nas Américas", realizado em junho, em São Paulo, pela Cátedra Oswaldo Aranha de Segurança e Defesa (COA) e pela Escola de Segurança Multidimensional (Esem-USP).Dados da OCDE estimam que os mercados ilegais respondam por 2% a 5% do PIB mundial. Outros estudos projetam entre 10% e 14%. Relatórios do Gafi (Grupo de Ação Financeira Internacional), e do Grupo Egmont alertam que a lavagem de dinheiro, o comércio ilícito e o financiamento ao terrorismo avançam por mecanismos sofisticados de ocultação e evasão fiscal.
No Brasil, a venda de tabaco oferece um raio-X dessa operação. O mercado ilegal de cigarros representa cerca de um terço do consumo nacional. Segundo o Ipec, o comércio clandestino movimenta aproximadamente R$ 9 bilhões por ano. Como definiu o professor Renan Pieri, da FGV-Eaesp durante o seminário, "o cigarro ilegal não é um desvio marginal, ele é uma engrenagem financeira do crime organizado". O aumento da tributação e do preço mínimo pode ampliar a distância entre produtos legais e ilegais, estimular consumidores a migrar para a clandestinidade e fortalecer as facções.









