Mais cedo nesta terça-feira, o Catar afirmou que os mediadores estão avançando nos esforços para encerrar a guerra no Oriente Médio que já dura cinco meses 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discursa durante a cerimônia de assinatura de um memorando de entendimento com o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, sobre cooperação nuclear civil estratégica, no Departamento de Estado, em Washington, DC, EUA, em 4 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que houve avanços nas negociações com Irã e Omã para ampliar o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz, mas que ainda não foi alcançado um acordo definitivo. "Houve progresso nessas conversas, mas ainda não chegamos a uma conclusão. Esperamos que isso aconteça muito em breve", disse Rubio a jornalistas no Departamento de Estado. Mais cedo nesta terça-feira, o Catar afirmou que os mediadores estão avançando nos esforços para encerrar a guerra entre EUA e Irã, apesar de Teerã continuar negando a afirmação do presidente Donald Trump de que as negociações já estejam em andamento. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou que os contatos diplomáticos chegaram a "estágios muito avançados". Segundo ele, mediadores do Catar, Paquistão e Omã estão coordenando estreitamente os esforços para facilitar negociações e trocar propostas entre Washington e Teerã. Uma alta autoridade de segurança do Paquistão também afirmou que “muita coisa está acontecendo nos bastidores”. “Estamos conversando com os dois lados. Nosso único objetivo neste momento é fazer com que ambas as partes ao menos concordem em começar a conversar”, acrescentou. Com os sinais de retorno à diplomacia, os preços do petróleo caíram rapidamente. O Brent, referência global da commodity, recuou mais de 2%. Antes dos comentários do Catar, uma possível solução diplomática entre EUA e Irã havia sido colocada em xeque, com a agência britânica de segurança marítima UKMTO tendo informado que o navio graneleiro Minoan Pioneer, de bandeira da Libéria, foi atingido por um projétil não identificado nas proximidades do Estreito de Ormuz, na costa de Omã. De acordo com informações divulgadas pela Reuters no início da manhã, a tripulação abandonou a embarcação, e um marinheiro continuava desaparecido. Na segunda-feira, o presidente Donald Trump insistiu ao falar com jornalistas na Casa Branca que negociações com Teerã estão em andamento e classificou o momento como a "última chance" para que o Irã assine um "bom acordo". Segundo ele, as conversas ocorrem a pedido não apenas do Irã, mas também da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar. "Elas [conversas com Teerã] estão acontecendo neste momento", disse Trump a repórteres no Salão Oval. "Esta é a última chance para que eles [o Irã] assinem um bom documento”, prosseguiu. Autoridades do governo iraniano, porém, já haviam afirmado anteriormente no mesmo dia que não mantinha conversas com Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do regime teocrático, Esmail Baqaei, disse que não há reuniões previstas entre os dois países nem qualquer negociação em andamento. Baqaei disse que as únicas conversas em curso são com Omã e tratam exclusivamente de Ormuz. Ele acrescentou que todos os negociadores iranianos permanecem no país, à exceção do chanceler, Abbas Araqchi, que participa de uma peregrinação religiosa no Iraque. No fim de semana, Trump suspendeu o que descreveu como uma nova onda de ataques "massivos" contra o Irã, repetindo um padrão observado nos últimos meses de anunciar uma escalada militar para, pouco depois, recuar alegando perspectivas de avanço diplomático. Conforme relatos da imprensa americana, o presidente também ouviu alertas de comandantes militares de que novos bombardeios teriam eficácia limitada e poderiam agravar problemas de abastecimento de munições e de defesa aérea. Em publicação na Truth Social também na segunda, o chefe da Casa Branca voltou a chamar as lideranças iranianas de "incrivelmente dissimuladas", insistindo que o pedido de reunião partiu de Teerã e que novas conversas estão previstas para o "futuro imediato". O presidente reiterou ainda que nada passa nem passará para o Irã sem autorização dos EUA e que isso só mudará com um "acordo” ou “rendição total". O Irã rejeita publicamente negociações diretas com Washington desde o colapso, no início de julho, do memorando de entendimento firmado no mês anterior. Os EUA, por sua vez, ainda não alcançaram os objetivos anunciados no início da guerra de desmontar o programa nuclear iraniano, reduzir sua capacidade de atacar aliados americanos na região do Golfo Pérsico e criar condições para uma mudança de regime em Teerã.