Teerã, entretanto, continua negando a afirmação do presidente Donald Trump de que conversas já estejam em andamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma mulher caminha ao lado de um outdoor anti-EUA em uma rua de Teerã, Irã , em 3 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS. O Catar afirmou nesta terça-feira que os mediadores estão avançando nos esforços para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã, embora Teerã continue negando a afirmação do presidente Donald Trump de que as negociações já estejam em andamento. Os preços do petróleo caíram rapidamente após os comentários do Catar, com o Brent recuando mais de 2%, ampliando as fortes perdas registradas na segunda-feira diante da expectativa de que um acordo possa ser alcançado em breve para restabelecer o tráfego pelo Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã. Por enquanto, porém, a passagem segue praticamente fechada, e outro navio teria sido atacado ao tentar cruzá-la. Na segunda-feira, Trump afirmou que as negociações com Teerã haviam começado e que o Irã enfrentava sua "última chance" para chegar a um acordo. Autoridades iranianas insistiram que não há negociações com os Estados Unidos. Segundo Teerã, as únicas conversas em curso são com Omã sobre o Estreito de Ormuz, e nenhuma reunião importante está prevista para esta semana. "Eles estão acontecendo neste momento", disse Trump a jornalistas durante evento no Salão Oval na segunda-feira, acrescentando que as conversas ocorrem a pedido do Irã, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar. "Esta é a última chance para que eles [o Irã] assinem um bom documento." O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou que os contatos diplomáticos chegaram a "estágios muito avançados". Segundo Ansari, mediadores do Catar, Paquistão e Omã estão coordenando estreitamente os esforços para facilitar negociações e trocar propostas entre Washington e Teerã. Uma alta autoridade de segurança do Paquistão afirmou: "Muita coisa está acontecendo nos bastidores... Estamos conversando com os dois lados. Nosso único objetivo neste momento é fazer com que ambas as partes ao menos concordem em começar a conversar." As declarações de Trump vieram após sua decisão, no fim de semana, de cancelar o que descreveu como ataques "massivos" contra o Irã, repetindo um padrão no qual ameaça uma grande ação militar para depois recuar, alegando avanços diplomáticos. Riscos à navegação permanecem O Irã interrompeu a maior parte do tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto Washington mantém um bloqueio à navegação e aos portos ligados ao Irã, afetando uma rota por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um cargueiro foi atingido por um projétil não identificado próximo ao Estreito de Ormuz, na costa de Omã. Fontes marítimas disseram à Reuters que a embarcação era um navio graneleiro. A tripulação abandonou o navio e um marinheiro continua desaparecido. Embarcações no Estreito de Ormuz, perto da praia de Bandar Abbas, Irã, 27 de julho de 2026 — Foto: Razieh Poudat/ISNA/via WANA (West Asia News Agency) via REUTERS O Irã há muito reivindica controle sobre o estreito, argumentando que deveria administrá-lo conjuntamente com Omã, que controla a margem oposta. Na semana passada, Teerã rejeitou uma proposta omanense que previa supervisão compartilhada da passagem e cobrança voluntária de taxas das embarcações. Uma alta fonte iraniana afirmou que Teerã busca controle total sobre os navios que entram pelo estreito, além de monitorar o tráfego de saída e poder intervir quando considerar necessário. Conceder esse controle ao Irã representaria uma mudança significativa no equilíbrio regional de poder em favor de Teerã e dificultaria que o governo americano sustentasse que a "Operação Epic Fury", lançada por Trump ao lado de Israel em fevereiro, enfraqueceu seu histórico adversário. Enquanto isso, aumentam as dúvidas sobre a sustentabilidade da campanha militar americana. O Exército dos EUA consumiu grande parte de seus estoques de mísseis de precisão de longo alcance durante a guerra, segundo três pessoas familiarizadas com os dados, aumentando preocupações sobre a capacidade do país de responder a futuros conflitos. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz pode ser alcançado até terça ou quarta-feira. "Estamos conversando com os iranianos e acredito que há uma chance de chegarmos a um acordo hoje ou amanhã para abrir o estreito e caminhar para uma posição mais normalizada nesse conflito", disse Bessent à CNBC. Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, também impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita no Mar Vermelho, restringindo ainda mais as rotas de exportação de petróleo. Desgaste prolongado Autoridades e analistas do Golfo afirmam que o Irã aposta em resistir por mais tempo que Washington, transformando as rotas comerciais, as vias marítimas e a infraestrutura energética da região em instrumentos de pressão que elevam continuamente o custo do confronto. "A grande vantagem deles é que conseguem causar danos aos países da região e à economia global", afirmou Michael Knights, do Washington Institute. O Irã rejeita publicamente negociações com Washington desde o colapso, no início de julho, do memorando de entendimento firmado no mês anterior na tentativa de encerrar o conflito. Trump ainda não alcançou os objetivos anunciados no início da guerra: desmantelar o programa nuclear iraniano, limitar sua capacidade de atacar aliados regionais dos EUA e criar condições para que os iranianos derrubem o regime clerical. O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo ao embarcar no Air Force One no Aeroporto Municipal de Morristown, em Morristown, Nova Jersey, EUA, em 2 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Daniel Heuer