Quando eu tinha uns oito anos, sentava ao lado do meu pai enquanto ele via o jornal na televisão. Eu acompanhava as imagens sem entender muito e, quando começava o noticiário econômico, perguntava o que era o PIB (Produto Interno Bruto), como se calculava o desemprego e por que as moedas mudavam de valor.
Meu pai respondia com exemplos, até que aquelas palavras ganhassem a forma de um emprego, de um preço ou de uma compra. Foi assim, entre uma resposta e outra, que a economia começou a me interessar.
Foi numa dessas conversas, quando perguntei quanto um dólar valia em reais, que ele explicou que a cotação oferecia apenas parte da resposta, pois mostrava o preço da troca sem revelar quanto cada moeda conseguia comprar. Como eu gostava de fast food, recorreu ao índice Big Mac para tornar essa diferença concreta.Mas por que justamente um Big Mac? O sanduíche já era vendido, com receita parecida, em diversos países. Foi essa semelhança que Pam Woodall, jornalista da revista The Economist, aproveitou ao criar o índice, em 1986. A brincadeira tornava familiar a paridade do poder de compra, segundo a qual as taxas de câmbio tenderiam, no longo prazo, a aproximar o preço de uma mesma cesta de produtos e serviços em diferentes países.








