Quanto vale o seu patrimônio? A maioria das pessoas responde a essa pergunta quase automaticamente. Soma o saldo das aplicações financeiras, estima o valor dos imóveis, lembra-se do carro e, às vezes, até das joias. Em menos de um minuto, chega a um número. O problema é que esse cálculo costuma ignorar justamente o bem mais valioso que ela possui.

Os economistas chamam esse bem de capital humano: a capacidade de gerar renda ao longo da vida. É um patrimônio invisível. Não aparece no extrato bancário nem na declaração de bens. Ainda assim, para grande parte das pessoas, ele vale mais do que todos os ativos financeiros e imóveis acumulados até hoje.

Para entender essa ideia, imagine uma empresa listada na Bolsa. O que determina o valor de suas ações? Não são apenas seus prédios, suas máquinas ou seus equipamentos. Uma empresa vale principalmente pelo caixa que será capaz de gerar no futuro. É exatamente por isso que analistas estimam os lucros e dividendos futuros e os trazem para o valor de hoje.

Agora imagine uma empresa que distribua R$ 20 mil por mês em dividendos, o equivalente a R$ 240 mil por ano. Suponha que esse valor cresça apenas 1% acima da inflação durante os próximos 30 anos. Considerando uma taxa de desconto real de 7% ao ano —próxima às taxas de títulos referenciados ao IPCA negociadas atualmente no mercado brasileiro— essa empresa teria um valor presente próximo de R$ 3,3 milhões.