Criminalista que atuou pela família da vítima contesta cenas da produção, cita perícia, reconstituição oficial e planejamento do crime 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lorena Comparato como Elize Matsunaga em novo filme — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O assistente de acusação afirma que a reconstituição oficial indica que Marcos estava agachado ao ser baleado. A produção da Netflix mostra o casal discutindo em pé. Segundo o advogado, laudos periciais comprovam que o empresário ainda respirava quando foi degolado. Esse detalhe crucial sobre a causa da morte foi omitido no filme. A acusação também sustenta que Elize comprou uma serra elétrica para o esquartejamento. A ausência de sangue no apartamento reforça a tese de crime planejado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O filme recém-lançando "Elize: sombras de uma mulher" (2026), da Netflix, reacendeu o interesse do público pelo assassinato do empresário Marcos Matsunaga, ocorrido em 2012. Agora, o advogado criminalista Luiz Flávio Borges D'Urso, que representou a família da vítima durante o julgamento, afirma que a produção altera aspectos importantes da dinâmica do crime e deixa de fora elementos que, segundo ele, foram fundamentais para a condenação de Elize Matsunaga. Em entrevista ao site "Metrópoles", D'Urso elogiou a qualidade da produção, mas afirmou que ela deve ser encarada como uma obra de ficção no que se refere à reconstituição do homicídio. "O filme vale como uma obra de ficção, mas, no que diz respeito ao crime em si, comete erros gravíssimos", disse. Veja como estão as figuras reais retratadas na série 'Tremembé' 1 de 8 Suzane Von Richthofen está em liberdade condicional desde 2023. É casada com o médico Felipe Zecchini e tem um filho de 1 ano e 10 meses. Ela entrou na faculdade de Direito — Foto: Reprodução 2 de 8 Daniel Cravinhos deixou a prisão em liberdade condicional em 2018. Casou-se com a biomédica Carolina de Andrade em janeiro deste ano. Ele tem um filho de um ano, fruto de outro relacionamento. — Foto: Reprodução X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Cristian Cravinhos cumpre sua pena em regime aberto desde março deste ano. Ele tem um perfil nas redes sociais e fez um comentário falando mal da série — Foto: Reprodução 4 de 8 Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como "Sandrão", está me regime aberto desde 2015. Ela mantém uma vida discreta e longe da mídia — Foto: Reprodução X de 8 Publicidade 5 de 8 Elize Matsunaga está em liberdade condicional desde 2022. Hoje ela usa o sobrenome de solteira e trabalha como motorista de aplicativos no interior de São Paulo — Foto: Reprodução 6 de 8 Alexandre Nardoni passou para o regime aberto em maio de 2024, e reatou com Jatobá no início deste ano. Eles vivem juntos Zona Norte de São Paulo — Foto: Reprodução X de 8 Publicidade 7 de 8 Anna Carolina Jatobá cumpre pena em regime aberto desde 2023 e segue casada com Alexandre Nardoni — Foto: Reprodução 8 de 8 Roger Abdelmassih está preso desde 2014 e segue em Tremembé. Sua previsão de liberdade é apenas para 2047, quando terá 104 anos — Foto: Reprodução X de 8 Publicidade . Segundo o advogado, embora a série mostre corretamente que Marcos Matsunaga foi atingido por um disparo de arma de fogo efetuado pela esposa, a forma como a cena é retratada diverge da conclusão apresentada pela perícia durante o processo. D'Urso lembrou que a arma usada no crime havia sido um presente do próprio empresário. "Ele deu essa arma para ela e ela usava, limpava, treinava com ela", afirmou. Ainda de acordo com o criminalista, diferentemente das armas de caça do casal, que permaneciam guardadas num cofre, outras armas de fogo ficavam distribuídas em pontos estratégicos do apartamento. Elize Matsunaga participa da reconstituição do crime na cobertura agora à venda — Foto: Reprodução/TV Globo Na avaliação do advogado, a principal divergência está na posição em que Marcos Matsunaga se encontrava quando foi baleado. Enquanto a produção da Netflix mostra o casal em pé durante uma discussão, a reconstituição feita pelas autoridades indicou que o empresário estaria agachado no momento do disparo. Segundo D'Urso, a conclusão foi baseada na trajetória descendente do projétil e em vestígios de pólvora encontrados na região atingida, indicando que o tiro foi efetuado a curta distância. "Na reconstituição, o que veio ao processo é que ele entra no apartamento com a pizza numa das mãos e abre a porta com a outra. E ele encontra com ela, com o revólver em punho, em cima dele para disparar. Se não houvesse elemento de surpresa, ele jogaria a pizza em cima dela e entraria em luta corporal. A única reação dele, tendo convicção de que ela iria atirar, foi se encolher", afirmou. Morte não teria sido causada apenas pelo tiro Outro ponto destacado pelo advogado diz respeito à causa da morte de Marcos Matsunaga. Segundo ele, conforme apontado pelo laudo do Instituto Médico Legal (IML), o empresário ainda estava vivo após o disparo. "Porque ele não morre por causa desse tiro. Então, ele leva o tiro, ele continua vivo, ele entra em coma e, enquanto vivo, ele respira. Elize começa a esquartejá-lo pelo pescoço e, no momento em que ela faz a degola, ele está vivo. E aí ele aspira aquele sangue do corte do pescoço e morre asfixiado com esse sangue que entra no pulmão", declarou. Segundo D'Urso, esse aspecto não é retratado da mesma forma na produção da Netflix. Advogado sustenta que uma serra elétrica foi usada Durante a entrevista, o criminalista também afirmou que a acusação sustentou, no julgamento, que Elize Matsunaga utilizou uma serra elétrica no esquartejamento — ferramenta que, segundo ele, nunca foi localizada pela polícia. Lorena Comparato caracterizada como Elize Matsunaga — Foto: Divulgação "No caminho da casa da tia, no Paraná, para o aeroporto, ela passou em uma loja de ferragens e comprou uma serra elétrica. Ela comprou e trouxe para São Paulo na bagagem da babá", afirmou. De acordo com o advogado, a compra da ferramenta foi mencionada em depoimento da babá da família e reforçaria a tese de que o crime foi planejado previamente. D'Urso também contestou a versão apresentada por Elize durante o julgamento, de que teria utilizado apenas uma faca de pão para desmembrar o corpo. "Ela diz que sempre usou uma faca de pão, inclusive. Verdade, ela usou a serra elétrica, porque a faca de pão demoraria horas para ela conseguir segmentar isso. Isso foi tudo premeditado", ressaltou. Ainda segundo o advogado, outro elemento que sustentaria essa interpretação é o fato de a perícia não ter encontrado vestígios de sangue no apartamento, mesmo após o uso de luminol. "Não houve. Ora, se não houve, como é que ela esquartejou alguém que não tinha sangue? Porque ela colocou plástico, ela protegeu as paredes, tudo foi muito bem pensado", afirmou. Elize Matsunaga foi condenada em 2016 a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão pelo assassinato e ocultação de cadáver de Marcos Matsunaga. Posteriormente, a pena foi reduzida para 16 anos após recurso da defesa.
Advogado aponta diferenças entre série da Netflix e provas do caso Elize Matsunaga: 'Erros gravíssimos'
Criminalista que atuou pela família da vítima contesta cenas da produção, cita perícia, reconstituição oficial e planejamento do crime
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