Carga emocional das gravações foi tão intensa que a atriz precisou recorrer a sessões de terapia para ela e para a própria personagem 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lorena Comparato de Elize Matsunaga — Foto: Julia Mataruna/ Netflix Interpretar a mulher que matou o marido, esquartejou o corpo e colocou os pedaços em malas enquanto a filha pequena dormia foi o desafio mais recente da atriz Lorena Comparato, de 36 anos. Ela vive Elize Matsunaga, assassina confessa de Marcos Matsunaga, herdeiro e um dos diretores da empresa Yoki. O crime chocou o Brasil em 2012 pela brutalidade e pela repercussão. A história é contada no filme de ficção "Elize: Sombras de Uma Mulher", que estreou recentemente na Netflix. Para dar vida à personagem, Lorena conta que a carga emocional das gravações foi tão intensa que precisou recorrer a banhos de descarrego e até as sessões de terapia para ela e para a própria Elize. "Fiz terapia para mim e 'sessões de terapia' para a personagem Elize, com a minha psiquiatra, Cecilia Gross", conta. "Dormir depois de um dia no set filmando cenas tão pesadas é realmente um exercício diário. Para conseguir separar as coisas no final do dia, eu criei alguns rituais de ddescompressão, como banhos de descarrego e rituais de transição no camarim. Chegar em casa e tomar um banho quente demorado, mentalizando que toda aquela carga emocional e a energia da personagem estavam descendo pelo ralo, foi essencial. Ervas, sal e cravo. Tirar a caracterização, o cabelo e a maquiagem todos os dias me fazia reconectar comigo mesma." Outro desafio, segundo Lorena, foi a responsabilidade de interpretar uma personagem inspirada em uma história real. "Estudamos muitos artigos, reportagens, laudos e até detalhes de anatomia, o que tornou tudo muito técnico, denso e visceral. Encontrar o equilíbrio para não dar uma única resposta pronta ao público, mas abrir espaço para que as pessoas reflitam sobre relacionamentos tóxicos e ciclos de violência foi o grande norte do trabalho." A atriz afirma que também precisou deixar de lado qualquer julgamento moral. "Meu papel não era julgar nem absolver a Elize, mas compreender como extremos tão opostos convivem na mesma pessoa: a extrema fragilidade e vulnerabilidade de uma mulher marcada por traumas profundos e, ao mesmo tempo, a brutalidade do ato que ela cometeu." Para construir a personagem, Lorena mergulhou em reportagens, laudos, entrevistas e no documentário da Netflix sobre o caso. Ela não teve contato com Elize Matsunaga nem com pessoas diretamente envolvidas no processo. "Interpretar uma figura real e tão controversa é buscar a verdade por trás das manchetes, sem heroicizar e sem demonizar. Agora, cabe ao público conhecer a Elize do filme."