O universo do fisiculturismo é cercado por mitos, mas, paradoxalmente, capaz de antecipar saberes aos quais a ciência chega retardatária. Foi assim na década de 1970, quando o Colégio Americano de Medicina do Esporte —autoridade máxima da área— posicionou-se oficialmente: "Não há evidências científicas conclusivas de que doses extremamente elevadas de esteroides anabolizantes aumentam ou diminuam o desempenho". Apenas duas décadas depois, um estudo pioneiro (Bhasin et al., 1996) "revelou" o que atletas do meio já davam de barato há pelo menos 50 anos: sim, o uso dessas drogas aumenta músculos e força.
A falha dos especialistas em reconhecer e admitir que os esteroides aumentam músculos e força provavelmente contribui para o desprezo que muitos consumidores de esteroides expressam em relação à comunidade científica, mesmo atualmente. Feita a ressalva, vamos aos "novos" achados que a tantos surpreenderam.
Um estudo recente, publicado no prestigioso The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, investigou se a eventual melhora na composição corporal —ganho de massa magra e perda de gordura—obtida durante um ciclo de uso de anabolizantes se mantém após a interrupção do uso.
A pesquisa acompanhou 79 homens adultos, praticantes recreativos de musculação, que realizaram por conta própria um ciclo com duração mediana de dez semanas e dose mediana de 600 mg semanais de anabolizantes. A composição corporal foi aferida em três momentos específicos: antes do início do ciclo, no decorrer do uso (por volta da oitava semana) e aproximadamente três meses após a interrupção das drogas.







