Projeto do ministro Itamar Ben-Gvir previa colocar répteis em fossos ao redor do presídio de Ketziot; governo terá de responder à ação até 16 de agosto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Crocodilo do Nilo no parque nacional Kruger, na África do Sul — Foto: AFP A Justiça de Israel suspendeu temporariamente um plano do governo para colocar crocodilos em fossos ao redor de uma prisão que abriga detentos palestinos. A proposta, apresentada pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, previa usar os répteis como parte do sistema de segurança do presídio de Ketziot, no deserto de Negev, no sul do país. O Tribunal Distrital de Jerusalém concedeu uma liminar que impede não apenas a transferência dos animais, mas também qualquer procedimento destinado a localizar, selecionar ou preparar crocodilos para o projeto. A decisão foi tomada após uma ação emergencial apresentada pela organização israelense de defesa dos animais Let the Animals Live. A suspensão é provisória. O governo israelense terá até 16 de agosto para apresentar sua resposta ao tribunal, que depois deverá decidir se o projeto poderá avançar. Portanto, a medida não foi definitivamente barrada pela Justiça. A proposta de Ben-Gvir prevê a construção de fossos com crocodilos em torno das alas de segurança de Ketziot, unidade que mantém integrantes do Hamas e outros palestinos classificados por Israel como presos de segurança. Segundo a imprensa israelense, as escavações no local já haviam começado antes da intervenção judicial. Para viabilizar o projeto, a ministra da Proteção Ambiental, Idit Silman, alterou a classificação legal do crocodilo-do-Nilo. A espécie passou a ser considerada um “animal selvagem sob cuidados humanos”, mudança que permitiria a órgãos estatais manter os répteis em instalações como presídios, desde que fossem atendidas determinadas exigências de bem-estar animal. A decisão contrariou pareceres técnicos. A Autoridade de Natureza e Parques havia concluído que a utilização de crocodilos em prisões não seria permitida pelas regras anteriores, que restringiam a manutenção de animais selvagens a finalidades como pesquisa, conservação e educação. Na ação, a entidade de defesa dos animais questionou tanto a reclassificação da espécie quanto as condições em que os répteis seriam transportados e mantidos. A organização também alertou para riscos de fuga, manejo inadequado e exposição dos animais a um ambiente incompatível com suas necessidades. O plano já vinha sendo preparado desde o início do ano. Uma delegação do Serviço Prisional de Israel chegou a visitar uma fazenda com cerca de 200 crocodilos em Hamat Gader, no norte do país, embora os responsáveis pelo local tenham afirmado que não houve um pedido formal para fornecer animais ao governo. Após a decisão judicial, Ben-Gvir criticou o tribunal e afirmou que a suspensão beneficiaria os presos classificados por Israel como terroristas. O ministro, líder do partido ultranacionalista Otzma Yehudit, defende o endurecimento das condições impostas aos palestinos mantidos no sistema penitenciário israelense. Além da discussão sobre o bem-estar dos animais, o projeto ampliou as críticas de organizações de direitos humanos às condições dos presos palestinos. O Serviço Prisional de Israel está subordinado ao Ministério da Segurança Nacional, comandado por Ben-Gvir.