Bahia e Ceará registraram maior alta na preocupação com o tema na última rodada de pesquisas Genial/Quaest 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula discursa na convenção do PT que lançou sua candidatura ao quarto mandato — Foto: Edilson Dantas Estados mais populosos comandados pelo PT, Bahia e Ceará registraram o maior avanço na preocupação com a violência na última rodada de pesquisas Genial/Quaest, divulgada na semana passada. Embora os governadores Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas, respectivamente, mantenham aprovações razoáveis, a reeleição está em xeque nos dois locais, na esteira dos problemas na segurança pública e da presença de adversários fortes na disputa. Dado que adversários pretendem explorar a pauta na eleição nacional, o cenário também joga luz sobre o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Oficializado como candidato no domingo, o petista abordou o tema apenas de forma lateral no discurso de mais de uma hora feito no evento, o que sinaliza que ainda não tem uma narrativa nessa seara definida para a campanha, a despeito da expectativa de que o assunto consolide-se como um dos mais discutidos até outubro. É no Rio que reside o maior percentual dos que citam a violência como principal problema: 60%. O resultado, no entanto, é recorrente no estado e chegou a ser pior no ano passado. O Ceará vem na sequência, com 53%, sete pontos a mais do que em abril, quando foi feita a última sondagem da Quaest. Na Bahia, 42% mencionam a violência, avanço de seis pontos no mesmo período. A movimentação ocorreu próxima do limite da margem de erro das pesquisas, de três pontos para mais ou menos, mas indica tendência de alta. O governo do baiano Jerônimo é aprovado por 57%, mas ele aparece em empate técnico com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) em intenções de voto: 39% a 38% no primeiro turno para o herdeiro do carlismo. Já Elmano, no Ceará, conta com o aval de 52%, o que não se converte até aqui em projeção de vitória eleitoral. O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) tem 43%, e o petista, 33%. Os principais problemas — Foto: Editoria de Arte ‘Transfiro meu título’ Como é habitual, o PT aposta na associação dos políticos locais a Lula nesses estados, tanto que o presidente prestigiou as duas convenções locais do partido no último fim de semana. O histórico recente mostra que candidatos petistas tendem a crescer na região ao longo da campanha. — Se for necessário, você (Jerônimo) me fale, que transfiro meu título e venho aqui votar em você — disse o presidente na convenção baiana. Nas pesquisas da semana passada, Lula aparece com mais da metade dos votos na Bahia e no Ceará já no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) fica na casa dos 20%. Na simulação de segundo turno, o presidente desponta com mais que o dobro do filho de Jair Bolsonaro (PL). Assim, ao mesmo tempo em que a nacionalização serve de combustível para Jerônimo e Elmano, o indicativo de manutenção do bom desempenho de Lula no Nordeste, somado a uma possível melhora no Sudeste, faz o PT ficar otimista na eleição presidencial. O problema produzido no Ceará e na Bahia, contudo, é a munição dada ao discurso sobre segurança pública de adversários do postulante à reeleição, que veem nos governos petistas a ilustração do que consideram equívocos do partido no combate à violência. Em junho, Flávio cumpriu agendas de pré-campanha na Bahia e concentrou a narrativa justamente nessa pauta. Prometeu, por exemplo, “libertar cada baiano que hoje mora numa área dominada por narcoterroristas”. Por lá, porém, o presidenciável carece de palanque confiável para encorpar a campanha. O PL apoia ACM Neto e tem na chapa o candidato ao Senado João Roma, mas o carlista sabe que abraçar um Bolsonaro na Bahia, dada a força de Lula, pode ser um tiro no pé. Próximo ao também presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), ele tenta se manter neutro na disputa pelo Planalto. Não é muito diferente do que ocorre no Ceará. A despeito do histórico mais à esquerda, Ciro Gomes contará com o PL na aliança e se aproximou de figuras de destaque do bolsonarismo local, mas evita endossar o filho de Jair Bolsonaro — uma forma de não afugentar os “independentes”. O estado, aliás, foi pivô da crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, sua madrasta, que havia se colocado contra a aliança com Ciro. “A estrutura política da disputa é muito clara. Elmano tem 58% entre lulistas e 53% na esquerda. Ciro domina 62% da direita e 72% entre bolsonaristas. Entre os independentes, Ciro 44% e Elmano 24%. Ciro não depende apenas da direita”, escreveu, ao analisar a pesquisa, o diretor da Quaest, Felipe Nunes. Caberá a Elmano converter em voto um dado positivo da pesquisa: 45% gostariam de eleger um governador aliado de Lula. Na Bahia, o percentual é de 47%. Em ambos os estados, menos de 20% desejam que o comandante do Executivo seja associado a Bolsonaro. Também pesa a favor dos dois o fato de mais da metade dos entrevistados de cada estado dizer que eles merecem um segundo mandato. O partido acredita que, ao longo da campanha, será possível transformar essa avaliação em votos. Recordistas em mortes Além das sondagens de opinião, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostrou neste mês o tamanho do problema neste quesito na Bahia e no Ceará. Entre os dez municípios mais violentos do país, oito ficam nos dois estados — cinco no primeiro, três no segundo. O campeão de homicídios no país em 2025 foi o cearense Maranguape. O drama da segurança tem feito os próprios governadores petistas engrossarem o discurso contra as organizações criminosas nos últimos anos. No Ceará, o governo frisou nas últimas semanas ter reduzido em 40% os homicídios no primeiro semestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2025. — A oposição conhece os dados de 2026. Então é apenas a escolha política eleitoral de querer negar a realidade — disse Elmano, durante coletiva de imprensa, ao rebater o uso de estatísticas do ano passado. O governador cearense defende desde o início da gestão um enfrentamento duro aos criminosos, na contramão da cautela habitual da esquerda no tema. Tal qual o correligionário, Jerônimo agudiza o discurso quando é instado a analisar a segurança pública. A Bahia, inclusive, vem batendo recordes de letalidade policial. — Naturalmente, não gosto de usar dinheiro para comprar armas em vez de fazer mais teatros, escolas e creches. Mas o crime organizado tem armamentos potentes. O estado também precisa ter para enfrentá-lo. Isso não cria no governador, no campo da esquerda, qualquer tipo de preconceito — afirmou ele no início do ano à revista Veja.
Preocupação com a violência avança em estados geridos pelo PT, dificulta reeleições e impacta Lula
Bahia e Ceará registraram maior alta na preocupação com o tema na última rodada de pesquisas Genial/Quaest








