Caso envolve transferência feita por empresária investigada na apuração sobre o "Careca do INSS"; assessor de Lula diz que valor foi empréstimo pessoal já quitado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Marcola: na campanha — Foto: Reprodução A Polícia Federal (PF) investiga uma transferência financeira feita pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Marco Aurélio Marcola, que deixou o cargo há duas semanas. O caso foi revelado pelo Poder360 e confirmado pelo GLOBO. Alvo de três novos inquéritos, Lulinha é suspeito, segundo a PF, de cometer o crime de tráfico de influência por ter atuado junto ao Ministério da Saúde e o gabinete presidencial com o objetivo de ser beneficiado no ramo da cannabis medicinal. O filho do presidente da República também manteve relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", suspeito de comandar um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. Os investigadores buscam esclarecer a origem e a finalidade dos recursos transferidos por Roberta, que já é alvo de apuração por sua relação comercial com o "Careca do INSS" e pelos negócios envolvendo o mercado de cannabis medicinal. A empresária é apontada pela PF como uma das pessoas que mantinham interlocução com o grupo investigado e também possui relação próxima com Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em depoimento prestado anteriormente, Roberta afirmou que nunca repassou recursos ao filho do presidente e negou qualquer irregularidade em sua atuação. "Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função", diz a nota. Na semana passada, a PF abriu um novo inquérito para apurar possíveis ilícitos na conduta de Lulinha. Ele nega qualquer irregularidade, enquanto o presidente afirmou que, “se for culpado”, o filho “vai ter que pagar como todo mundo”. A suspeita que recai sobre o filho do presidente é ter utilizado ligações com o governo federal para benefício próprio. Como já havia mostrado O GLOBO, no pedido apresentado ao ministro André Mendonça, a Polícia Federal solicitou autorização para compartilhar as provas produzidas na Operação Sem Desconto. Uma testemunha relatou, por exemplo, que Roberta seria o elo entre o lobista e o filho de Lula. A representação encaminhada ao Supremo, que resume o caso ao longo de 34 páginas, faz referência a contatos de um dos envolvidos com uma pessoa descrita como de “grande influência” no gabinete presidencial.