Os preços dos carros no Brasil começam a cair após anos de altas acima da inflação. Há vários fatores combinados que explicam o raro fenômeno, entre eles a amortização dos custos de novas tecnologias. Contudo, o principal fator é a aceitação das novas marcas chinesas no mercado brasileiro, impulsionada por valores mais baixos que os da concorrência.
"A estratégia é reduzir preço, aumentar volume, fortalecer a marca e se estabelecer antes da alta dos impostos de importação. A China consegue sustentar isso por escala e verticalização, mas não significa necessariamente lucro alto no Brasil, é uma fase de captura de mercado", diz Theo Paul Santana, especialista em comércio Brasil-China e fundador da empresa de consultoria Destino China.
Esses valores mais baixos vêm associados à percepção de qualidade dos carros e aos sistemas híbridos e elétricos que agradam ao consumidor. Modelos como o GWM Haval H6 (a partir de R$ 199,9 mil) conquistaram segmentos antes dominados pelas marcas tradicionais. Sem ter o que entregar de imediato com a mesma tecnologia, restou mexer na tabela.
De acordo com levantamento feito pela Bright Consulting, a média dos valores públicos dos veículos leves era de R$ 172,5 mil em junho de 2025. Um ano depois, o valor caiu para R$ 170 mil, uma redução de 1,5%. Já o preço efetivamente pago pelos compradores passou de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil, um recuo de 3,5%.










