Ao oficializar sua candidatura à reeleição no domingo (2), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por uma coligação restrita aos partidos de esquerda. A escolha delimita com clareza seu campo político e acentua o contraste com um Congresso Nacional de maioria de centro-direita, que tende a manter perfil semelhante após as eleições.
Um eventual quarto mandato pode começar com um Legislativo pouco alinhado ao Planalto.
Lula afirmou não querer ser lembrado apenas como o "presidente do Bolsa Família" e prometeu enfrentar o poder das emendas parlamentares. A intenção de devolver ao Executivo capacidade de planejamento e investimento é meritória. A promessa, porém, esbarra na realidade.
Sem maioria parlamentar e diante de um Congresso fortalecido justamente pelo controle do Orçamento, a disposição de "brigar" pelas emendas soa mais como mote de campanha do que compromisso exequível.
No âmbito da política fiscal, o governo passou a admitir um aperto nas regras do arcabouço para conter a deterioração das contas públicas. A intenção seria bem-vinda, não fosse o déficit de confiança. Depois de sucessivas exceções e brechas abertas para ampliar despesas, poucos acreditam que o Executivo esteja disposto a impor limites mais rígidos ao próprio gasto.










