Campanha da Justiça Eleitoral ocorre em meio à repercussão dos questionamentos do presidenciável Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Urna eletrônica aberta é exibida a estudantes em Brasília, durante evento promovido pelo TSE para explicar o funcionamento do equipamento — Foto: Antonio Augusto/TSE O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promoveu nesta segunda-feira (3) a abertura de uma urna eletrônica em rede nacional. A ação inédita faz parte da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, ação promovida pela Justiça Eleitoral. A iniciativa é voltada a ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento, a segurança, a transparência e a auditabilidade da urna. Leia mais A abertura da urna foi transmitida pelos tribunais regionais eleitorais (TREs) de todo o país, pela TV Justiça e emissoras com parcerias com a corte eleitoral. Na transmissão, um técnico da Justiça Eleitoral mostrou os componentes internos da urna e explicou as camadas de segurança do equipamento, como as assinaturas digitais, a criptografia, os testes públicos de segurança e as auditorias realizadas antes, durante e depois das eleições. Durante o dia outras urnas foram abertas por técnicos da Justiça Eleitoral em demonstrações públicas em escolas e sedes dos TREs. A programação da semana ainda conta com atividades educativas, visitas guiadas, palestras, exposições, ações de combate à desinformação e eventos abertos ao público. Ainda que a campanha do TSE já estivesse prevista, ocorre em meio a repercussão das declarações do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre as urnas eletrônicas. Em evento em Brasília em 21 de julho, Flávio disse a representantes diplomáticos que as urnas brasileiras teriam sido fabricadas pela empresa Smartmatic, que é acusada pelo governo dos Estados Unidos de terem sido usadas em eleições fraudulentas na Venezuela. A informação já foi desmentida pelo TSE. Após a repercussão do caso, o senador negou que as declarações fossem um ataque às urnas. Desde que assumiu a presidência do TSE, Kassio Nunes Marques tem dito que quer fazer uma defesa pessoal das urnas eletrônicas. Segundo o ministro tem dito a interlocutores, a atitude partindo dele deve “soar diferente” e pode desfazer parte da desconfiança que foi alimentada em setores bolsonaristas sobre a higidez do sistema eletrônico de votação. Nunes Marques foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que atacou o sistema eletrônico de votação em diversas oportunidades ao longo de seus quatro anos na Presidência da República e alegou, sem apresentar qualquer prova, que foi alvo de fraude em 2022, quando foi derrotado na eleição. As falas de Flávio a embaixadores repercutiram como uma tentativa do senador de repetir seu pai e disseminar dúvidas sobre a higidez do processo eleitoral. Em entrevista ao Canal Livre, da TV Band, que foi ao ar no domingo (2), no entanto, o candidato do PL disse que aceitará o resultado das eleições de outubro e que, diferentemente do último pleito geral, acredita que o TSE será imparcial. “Eu vou aceitar. Vou concorrer com essas regras e eu tenho certeza que o TSE, diferente de 2022, vai ser um TSE imparcial e que vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência”, afirmou Flávio. Ele também afirmou que errou em sua declaração a embaixadores e fez um pedido por mais medidas de segurança nas eleições. “Essa parte eu me equivoquei, não produziu. Mas eu estou pedindo apenas isso [aumento da segurança das urnas]. Qual é a dificuldade de você botar uma camada a mais em segurança, mais transparência?”, afirmou.