Não tenho ideia se Maria Fernanda Maglio e Bethânia Pires Amaro se conhecem. Acho que deveriam e seriam melhores amigas, porque as duas carregam três nomes em suas assinaturas, atuam no judiciário e, sobretudo, escrevem com a mesma potência, mesma profundidade, mesmíssima dor.
Tomo a liberdade de imaginar aqui, neste campo que é meu mundo e, por isso, cabe quase tudo, o momento em que as duas escritoras se encontram em um café, Bethânia com a pequena Aurora no colo, uma mesa para três, a padaria que eu mais gosto de São Paulo, porque quero que esse encontro tenha o melhor coado e uma baguete crocante lambuzada de manteiga e um croissant que molha os dedos e se quebra a cada mordida. Sem essas coisas, a vida é chata. Não sei se elas gostam ou se já foram à Fabrique, mas este é o meu mundo, agora também o delas, então é assim e ali.
Elas falam e se ouvem, o que só ocorre com as pessoas sábias, e descortinam todos os encontros que deveriam ter tido antes, e ao se dividirem nas palavras tornam-se uma o que é a outra, a outra o que é uma. As pessoas em volta não sabem o que estão perdendo, na verdade sabem, mas não falam nada, não podem falar. Imagino que bonito seria se chegassem todas as suas mesas para perto de Bethânia e Maria Fernanda, todo o estabelecimento uma coisa só, escutando atentamente o que elas têm a dizer enquanto a pequena Aurora observa, os olhinhos enfeitiçados. Não sei se ela é calma assim, aqui é. E essa mesa impossível seria não um mundo, mas o universo.







