Com mais de 7 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo no ano passado, os óculos inteligentes da Meta geram preocupações de privacidade em diversos países. Na Alemanha, onde é robusta a cultura da proteção de dados pessoais, especialistas falam numa possível proibição da tecnologia, que pode ser usada para filmar pessoas sem consentimento, enquanto autoridades já propõem medidas localizadas.

Segundo a imprensa alemã, o órgão regulador das telecomunicações no país examina o caso. Em recente entrevista para a emissora ARD, o comissário de proteção de dados encarregado dos serviços da Meta na Alemanha, Thomas Fuchs, disse que o seu gabinete já toma ações para prevenir filmagens escondidas com os óculos, bem como a imposição de multas por gravações proibidas.

O especialista ainda acrescentou que, pela dificuldade de distinguir os óculos inteligentes no cotidiano e de identificar quando a câmera está ativa, haveria justificativa legal para uma proibição completa. A distribuição de imagens de outra pessoa sem o seu consentimento é vedada pela lei alemã.

A preocupação sobre o tema já foi levantada por organizações especializadas, partidos políticos e cidadãos. A organização HateAid, focada em direitos digitais, alertou que “óculos inteligentes com câmeras permitem gravações discretas, sem que as pessoas envolvidas percebam. E são justamente esses tipos de gravações que estão cada vez mais aparecendo nas redes sociais.”