Porta-voz do governo britânico disse que é vital que as autoridades possam acessar comunicações quando necessário e proporcional para proteger o público contra o terrorismo, crimes graves e abuso sexual infantil 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Apple iniciou uma nova contestação judicial contra a tentativa mais recente do governo britânico de criar uma chamada "porta dos fundos" (backdoor) para acessar dados criptografados de clientes, informou o Financial Times nesta segunda-feira (3). A reportagem informa que, no mês passado, a Apple apresentou uma queixa formal ao Investigatory Powers Tribunal — órgão judicial independente do Reino Unido — contestando a exigência do Ministério do Interior de que a empresa permitisse o acesso a backups criptografados na nuvem computacional contendo dados de usuários britânicos. O Reino Unido desistiu, no ano passado, de uma exigência anterior para a tal backdoor — que teria permitido o acesso a dados de clientes britânicos e americanos — após meses de negociações com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump. No entanto, as autoridades britânicas emitiram posteriormente uma nova "notificação de capacidade técnica" à Apple, a qual não se aplicava a usuários dos EUA, segundo a reportagem do FT. Um porta-voz do governo britânico afirmou que não comentaria processos judiciais ou questões operacionais, incluindo a confirmação ou negação da existência de notificações individuais. "O Reino Unido apoia a criptografia forte e proteções robustas à privacidade, mas também é vital que as autoridades policiais possam acessar comunicações quando necessário e proporcional para proteger o público contra o terrorismo, crimes graves e abuso sexual infantil", disse o porta-voz. A Apple confirmou a abertura do processo, mas não quis fazer mais comentários. A empresa já havia declarado anteriormente que nunca criou uma “backdoor” ou chave mestra para nenhum de seus produtos ou serviços, e que jamais o faria. "Este é um caso de extrema importância, que terá implicações de longo alcance para os direitos de privacidade do público por muito tempo", disse em comunicado Ruth Ehrlich, diretora de relações externas da Liberty, organização de defesa dos direitos humanos que já esteve envolvida no caso judicial. "Criar uma ‘backdoor’ para todas essas informações traz uma ampla gama de riscos aos nossos dados pessoais. É fundamental que o governo ouça as muitas preocupações e se comprometa a proteger nossos direitos de privacidade." — Foto: Dado Ruvic/Illustration/File Photo/Reuters