"Dada a percepção de demanda piorando, existe chance de o índice, continuar caindo”, afirma Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV/Ibre FGV aponta preocupação do empresariado com as novas tarifas dos EUA e o efeito para a economia — Foto: Domingos Peixoto/Agência o Globo Após subir 1,2 ponto em junho, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 1,4 ponto em julho, para 91,3 pontos, informou, nesta segunda-feira (3), a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a mais forte queda desde agosto de 2025 (-2,7 pontos), disse Aloisio Campelo Jr., pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV/Ibre). Uma série de fatores, internos e externos, contribuiu para o recuo, segundo o economista – que não descarta novas quedas no índice. Nos quatro componentes do ICE, foram observados recuos de 2,9 pontos na confiança da indústria e de 3 pontos na confiança de serviços, em julho. Em contrapartida, comércio e construção mostraram altas de 0,4 e de 0,8 ponto, respectivamente, nos indicadores de confiança. Ao falar das razões internas que levaram ao desempenho desfavorável do ICE, o especialista comentou que o indicador pode ter sido influenciado por ajustes, para baixo, devido a aumentos mais intensos na confiança em junho em indústria e serviços. No entanto, admitiu que, no caso de aspectos internos a afetar o indicador, o quadro de demanda interna menos aquecida pode ter piorado o humor do empresariado. No ICE de julho, o tópico “nível da demanda no momento presente” caiu 1,2 ponto, para 94,1 pontos, ante junho. Essa piora de percepção quanto à demanda também se estendeu às projeções. O tópico que mede "otimismo com demanda nos três meses seguintes" caiu 2,2 pontos, para 87,2 pontos. Isso ajudou a derrubar, ainda, outro tópico componente do ICE, relacionado ao futuro, sobre expectativas em relação à evolução dos negócios seis meses à frente, que recuou 0,2 ponto, para 92,5 pontos. “Temos um sinal claro de que a percepção de demanda deu uma enfraquecida em julho", resumiu Campelo Jr. Outro aspecto interno, a influenciar humor do empresariado, é o fato de 2026 ser ano de eleições, acrescentou. A proximidade do pleito gera incerteza sobre a política econômica futura, especialmente em relação ao ajuste fiscal, lembrou. Há dúvidas sobre a ocorrência e o tipo de ajuste, independentemente do candidato vencedor, o que afeta a confiança e o investimento, ponderou ele. Sobre fatores externos, o especialista lembrou o novo “tarifaço” do governo americano. Os Estados Unidos anunciaram, recentemente, taxas de dois dígitos sobre produtos com destino a solo americano, originados de diferentes países, entre eles o Brasil. Campelo ponderou que, no recuo do ICE de julho, há preocupação do empresariado com as novas tarifas e o efeito que podem causar em alguns setores da economia. Além disso, no âmbito tarifário, as companhias ainda estão tendo que lidar com os aspectos de adaptação com a nova reforma tributária, destacou. Assim, o especialista não descartou novos recuos no ICE. “É uma possibilidade”. “Com essas expectativas [em baixa], com essa preocupação e percepção de demanda desacelerando, é possível que o índice da situação atual caia um pouco mais”, reconheceu. “Assim, dada a percepção de demanda piorando, existe chance de o índice, continuar caindo”, admitiu.
Confiança empresarial em julho tem pior queda em quase um ano, diz FGV
"Dada a percepção de demanda piorando, existe chance de o índice, continuar caindo”, afirma Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV/Ibre






