Presidente americano classificou as autoridades da República Islâmica como 'incrivelmente dissimuladas' por negarem a existência das conversas com Washington O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta enquanto faz um anúncio sobre a inovação nuclear americana, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 24 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta segunda-feira que negociações com o Irã estão em andamento e classificou as autoridades da República Islâmica como “incrivelmente dissimuladas” por negarem a existência das conversas com Washington. “As lideranças iranianas são incrivelmente dissimuladas! Elas pedem uma reunião — alguns diriam que ‘imploram’ —, as conversas começam, com outras já marcadas para os próximos dias, e depois dizem, aberta e orgulhosamente, que não estão tendo nenhuma discussão, que nada está sendo negociado e que estão tratando apenas com ‘Omã’”, escreveu Trump em publicação na plataforma Truth Social. “Em seguida, repetem a retórica de sempre, dizendo que o Estreito de Ormuz será controlado com firmeza por eles, quando, na realidade, ele já está completamente sob controle da Marinha dos Estados Unidos e do nosso ‘bloqueio’ ou, como alguns chamam, da ‘Muralha de Aço dos Estados Unidos’!”, prosseguiu o presidente americano. Trump também reiterou que o regime dos aiatolás "jamais terá uma arma nuclear" e afirmou que nada entra nem entrará no Irã, a menos que os Estados Unidos permitam ou que um "acordo, ou uma rendição total", seja alcançado. “Quer o Irã queira admitir ou não, estamos, de fato, discutindo uma solução para um problema que eles criaram ao longo de décadas”, acrescentou. Trump insiste em negociações com o Irã, apesar das negativas da República Islâmica — Foto: Reprodução/Truth Social O Irã informou nesta segunda-feira que tem negociado com Omã uma possível reabertura temporária do Estreito de Ormuz, em meio à tentativa de mediadores em reduzir o risco de uma nova escalada da guerra entre Washington e Teerã. A República Islâmica negou, porém, que haja conversas diretas em andamento com autoridades americanas, contradizendo declarações de Trump de que negociações entre os dois países começariam nesta semana. Segundo relatos do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, as tratativas com Omã estão restritas à definição de uma nova rota de navegação de embarcações pela hidrovia, bloqueada pelo Irã desde o início da guerra com EUA e Israel. Questões mais amplas envolvendo Washington, disse ele, serão discutidas apenas em uma etapa posterior. No sábado, Trump afirmou ter cancelado uma ofensiva militar de grande escala contra o Irã e disse que há os "contornos de um acordo" para reabrir Ormuz. Em publicação nas redes sociais, o presidente justificou que a República Islâmica e outros países do Oriente Médio pediram que Washington evitasse uma nova ação militar. O recuo ocorreu dois dias depois de Trump afirmar que avaliava novos bombardeios contra o Irã e declarar que os EUA atingiriam o país "com muita força". "Vamos atacá-los com muita força e, em algum momento, eles vão dizer: 'Simplesmente não aguentamos mais'", afirmou a jornalistas na sexta-feira, em Camp David. Apesar do envio de reforços militares para a região, reportagens recentes divulgadas pela imprensa americana informaram que auxiliares do presidente e autoridades americanas avaliam que uma nova escalada poderia ampliar o conflito, esgotar estoques de sistemas antimísseis e aumentar a vulnerabilidade de tropas e aliados dos EUA. Também no sábado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, realizou uma maratona de telefonemas com autoridades da Arábia Saudita, Turquia, Paquistão, Reino Unido e Índia. Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, Araqchi afirmou a seus interlocutores que Teerã retaliaria com força caso fosse atacado pelos EUA ou por Israel. Já no domingo, a imprensa estatal da Arábia Saudita informou que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman conversou recentemente com Trump para defender "a necessidade de priorizar o diálogo para reduzir as tensões" e "evitar um conflito mais amplo", apesar de Riad ter realizado, pela primeira vez, um ataque conjunto com forças americanas na semana passada pela primeira vez contra milícias aliadas do Irã no Iraque. Mais de cinco meses após o início da guerra lançada por EUA e Israel contra o Irã, nem a campanha militar nem a diplomacia conseguiram alcançar o objetivo declarado de limitar o programa nuclear iraniano. Ao mesmo tempo, Teerã continua restringindo o tráfego no Estreito de Ormuz, elevando os preços da energia e pressionando a economia global. Nas últimas semanas, as Forças Armadas dos EUA bombardearam alvos militares iranianos nas proximidades do estreito em resposta aos ataques iranianos contra navios mercantes. Os bombardeios, porém, não conseguiram garantir a segurança da navegação nem forçar um recuo de Teerã. Em vez disso, o conflito pareceu caminhar para uma ampliação, uma vez que os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, tentaram impor um bloqueio marítimo à Arábia Saudita no Estreito de Bab El-Mandeb, outro ponto estratégico para o comércio de petróleo de saudita no Mar Vermelho, o que aumentou ainda mais a instabilidade nos mercados globais de energia. Além de Riad, o Egito também foi trazido para o centro da guerra na semana passada, quando dois navios-tanque de gás, entre eles uma embarcação de propriedade americana, pegaram fogo após um aparente ataque com drones a um porto próximo ao Canal de Suez. Até então, o território egipcio ainda não havia sido alvo de hostilidades, e Suez permanecia como uma das últimas rotas relativamente seguras para o transporte de mercadorias no Oriente Médio. Bandeiras dos EUA e do Irã , barris de petróleo impressos em 3D e um gráfico de ações em alta são vistos nesta ilustração tirada em 23 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de Arquivo
Trump reafirma negociações com Irã, apesar de negativa de Teerã
Presidente americano classificou as autoridades da República Islâmica como 'incrivelmente dissimuladas' por negarem a existência das conversas com Washington















