Declaração do americano foi feita após Washington e Teerã terem iniciado uma nova troca de hostilidades nesta semana O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma reunião bilateral com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi (não aparece na foto), durante a Cúpula do G7 em Evian-les-Bains, França, em 17 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira que concordou em dar continuidade às negociações por um acordo de paz definitivo com o Irã, após um pedido de Teerã, mas ressaltou, por outro lado, que os Estados Unidos deixaram “absolutamente claro” ao governo iraniano que o cessar-fogo previsto em um memorando de entendimento assinado pelas partes no mês passado “acabou”. Trump diz que negociações com o Irã terão continuidade, mas que cessar-fogo acabou — Foto: Reprodução/Truth Social A declaração do americano foi feita após Washington e Teerã terem iniciado uma nova troca de hostilidades nesta semana, depois de navios terem sido bombardeados no Estreito de Ormuz e a Casa Branca ter responsabilizado a República Islâmica pela autoria dos ataques. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), como resposta, as forças americanas bombardearam ao longo de 48 horas cerca de 170 alvos iranianos. A Guarda Revolucionária do Irã, por sua vez, lançou mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, no Catar, no Kuwait e na Jordânia em retaliação. Na quarta-feira, durante uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, Trump já havia afirmado que a trégua estava "encerrada". Ele ponderou, porém, que não impediria o prosseguimento das negociações, embora tenha também atacado os líderes do regime iraniano e declarado que se cansou de dialogar com Teerã. De acordo com informações da agência estatal iraniana Tasnim, uma delegação do Catar, país que atua como mediador entre Washington e Teerã, visitou o Irã nesta sexta-feira em uma aparente tentativa de Doha de consolidar seu papel após o aumento de tensões no Golfo. Na quinta-feira, o primeiro-ministro catari, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, já havia discutido a escalada militar em uma ligação com o chanceler, Abbas Araqchi, e afirmado que os ataques contra embarcações comerciais corroem a confiança entre as partes e prejudicam os esforços para garantir a segurança regional – conclusão compartilhada com outros países da região. A escalada do conflito no Oriente Médio, além disso, causou mais uma vez preocupações sobre o abastecimento global de energia. Segundo dados da MarineTraffic, o número de travessias confirmadas de embarcações pelo estreito de Ormuz caiu pelo segundo dia consecutivo em 9 de julho, para 22, ante 30 no dia anterior. Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, cerca de 20% da produção global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) eram transportados pela via marítima diariamente. "Os operadores continuaram a preferir a rota pelo lado iraniano, enquanto a rota pelo lado de Omã registrou apenas uma travessia, reforçando o impacto duradouro dos recentes incidentes de segurança nas proximidades de Omã", informou a principal plataforma global de rastreamento de navios e inteligência marítima em publicação na rede social X. "Nenhum novo ataque foi registrado desde 7 de julho, mas a retomada da escalada militar entre Estados Unidos e Irã continua a reduzir a confiança de que os esforços diplomáticos conseguirão garantir estabilidade no curto prazo", concluiu na postagem. A incapacidade de Donald Trump de pôr fim à guerra tem aumentado a pressão sobre o presidente e, sobretudo, no Partido Republicano, que terá seu controle do Congresso testado nas eleições legislativas de meio de mandato ainda este ano, em meio aos altos preços dos combustíveis e ao descontentamento dos eleitores.