Medida ocorre enquanto a vizinha Hungria informou que poderá manter sua única usina nuclear funcionando por mais dois dias A Marinha romena realiza explosões controladas em rochas no canal de Bala para desviar o fluxo de água do Danúbio em direção à usina nuclear de Cernavoda, em Izvoarele, Romênia , em 3 de agosto de 2026 — Foto: Inquam Photos/George Calin via REUTERS A Romênia detonou nesta segunda-feira uma formação rochosa para ajudar a redirecionar a água do Danúbio, afetado pela seca, para seu último reator nuclear em operação, enquanto a vizinha Hungria informou que poderá manter sua única usina nuclear funcionando por mais dois dias. A explosão controlada, realizada pela Marinha romena, lançou uma coluna de água e detritos ao ar — uma medida extraordinária que evidencia a gravidade da crise na Europa, onde a onda de calor e a seca reduziram o nível dos rios e aumentaram as preocupações com o abastecimento de água, o transporte fluvial e a geração de energia. Com reatores operando com capacidade reduzida, Hungria e Romênia dependem cada vez mais de importações de energia, mais caras, à medida que a onda de calor eleva a demanda por eletricidade. Os dois países utilizam água do Danúbio para resfriar seus reatores nucleares. As autoridades húngaras, que anteriormente haviam informado que poderiam desligar a usina nuclear de Paks já no domingo, disseram que ela poderá continuar operando na capacidade reduzida atual até segunda ou terça-feira, oferecendo um alívio temporário ao sistema elétrico. A usina de Paks, com capacidade de 2 gigawatts e responsável normalmente por cerca de metade da eletricidade consumida na Hungria, operava nesta segunda-feira com pouco mais de 10% de sua capacidade, depois que o Danúbio atingiu um nível recorde de baixa. "Hoje, e talvez amanhã, a última turbina, que produz 240 megawatts, poderá continuar funcionando", afirmou o primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar. "Essa é uma notícia muito boa, pois será possível evitar o desligamento completo da usina em um dos dias de maior consumo", acrescentou. Mais a jusante do rio, a estatal romena de energia nuclear Nuclearelectrica, que normalmente responde por cerca de um quinto da eletricidade consumida no país, precisou desligar um de seus dois reatores no início da semana passada. Especialistas afirmaram que a explosão controlada abrirá caminho para que as autoridades construam uma barragem temporária, destinada a direcionar um volume maior de água para o canal do rio onde está localizado o reator remanescente da usina de Cernavodă. Segundo a Marinha romena, os trabalhos para redirecionar mais água ao reator serão concluídos até quarta-feira. "Cada dia após quarta ou quinta-feira em que a usina nuclear continuar funcionando será um ganho", afirmou o ministro da Defesa da Romênia, Radu Miruta. "Um único dia de funcionamento da usina é três vezes mais vantajoso do que o custo desta operação." As fábricas de automóveis da Dacia, controlada pela Renault, e da Ford na Romênia interromperam temporariamente a produção até 19 de agosto, informou o primeiro-ministro Ilie Bolojan. A medida reduzirá voluntariamente o consumo de energia em cerca de 200 megawatts. Magyar já havia informado que os cortes voluntários no consumo de eletricidade por famílias e empresas, adotados após um apelo do governo, reduziram a demanda em 700 megawatts no domingo, aliviando significativamente a pressão sobre a rede elétrica. Somando-se aos cortes promovidos por outras empresas, a farmacêutica Richter informou nesta segunda-feira que reduzirá seu consumo de eletricidade em mais de 50% nas próximas três semanas e colocará diariamente à disposição da rede 4 megawatts gerados por seu parque de energia solar.
Romênia explode rochas para redirecionar água do Danúbio a reator nuclear e evitar crise energética
Medida ocorre enquanto a vizinha Hungria informou que poderá manter sua única usina nuclear funcionando por mais dois dias












